O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 11/08/2020
No Brasil, tem crescido cada vez mais a quantidade de jovens que concluem o ensino básico e iniciam o ensino superior. Isso ocorreu com a diminuição da barreira de entrada em relação à renda, proporcionada pelo governo federal a partir da criação da lei de cotas e do Programa Universidade para Todos. Porém, outra barreira surgiu para estes jovens recém formados: a entrada no mercado de trabalho. Nesse sentido, com a queda da economia brasileira e a saturação do mercado, a busca por um emprego estável tornou-se cada vez mais competitiva e a remuneração ofertada pelas empresas reduziu. Dessa forma, atualmente ocorre a desvalorização do jovem profissional, e cada vez mais os estudantes se formam e não encontram oportunidades em sua área de atuação.
Primeiramente, uma grande conquista na vida profissional dos jovens é o vestibular, porém a próxima conquista, sua formação e inserção no mercado de trabalho, tem se tornado cada vez mais difícil no Brasil devido a queda da economia e a saturação de empregos. Segundo uma Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, no Brasil 49% dos jovens apenas estudam, enquanto 15% trabalham e estudam, e 13% só trabalham. Esses dados mostram claramente que não chega nem a metade o percentual dos estudantes que ao se formar conseguem se inserir no mercado. Infelizmente, essa realidade reflete a economia do país que retrocede anualmente. Assim, as empresas tendem a contratar menos e as oportunidade rapidamente se esgotam.
Ademais, com a economia encolhida os profissionais com mais experiência no mercado tem aceitado trabalhar por menos tornando-se competidores dos jovens recém formados. Além disso, contribui também com esse cenário a reforma da previdência, que aumentou os anos de contribuição dos trabalhadores sem que ocorresse aumento no número de cargos ofertados. Segundo o economista Thiago Xavier, o mercado continua restritivo, mas sobretudo para os mais jovens, pois houve uma diminuição na rotatividade que se refere a saída dos mais velhos. Então, resta para o jovem alternativas na informalidade, com a venda de seu trabalho sem carteira assinada e a realização dos famosos “bicos”.
Portanto, a inserção no mercado de trabalho dos jovens brasileiros hoje em dia é um imponente desafio. Por isso, é urgente que o governo federal tome medidas para facilitar o emprego dessa faixa etária. Isso pode ser alcançado com a ampliação pelo Congresso Nacional do percentual da Lei 10.097 que determina que empresas de médio e grande porte contratem um número mínimo de aprendizes de 5%. E além disso, essa lei deve ser estendida para também beneficiar os jovens recém formados. Dessa forma, haverá mais oportunidade para a juventude atuar em sua área.