O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 12/08/2020

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o aumento dos índices de desemprego, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Sob esta perspectiva, os desafios e oportunidades do mercado de trabalho, para o jovem contemporâneo, representa ainda enormes dificuldades. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.

Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater a péssima qualidade da formação escolar. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Em face da atuação inescrupulosa das autoridades, o analfabetismo, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, foi o principal empecilho para a formalização do primeiro contrato de trabalho entre pessoas com 20 à 25 anos. Dessa forma, geram-se condições favoráveis à marginalização de parcela significativa da sociedade, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à educação, são ameaçados.

Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios mais primários da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Ao financiarem atividades econômicas que não beneficiam a inclusão profissional de indivíduos mais jovens, os empresários comutam-se nos artífices dos atentados cometidos contra a dignidade dessa casta social. Logo, desrespeitam, em nome de interesses individuais, importantes concepções da metafísica cristã, culturalmente consagradas, que equilibram as relações humanitárias. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de interesses egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal, atuar em favor da população, intervindo legalmente a fim de aprimorar o ensino básico e assegurar o direito ao trabalho e à educação de qualidade. Ademais, o corpo social deve promover a conscientização coletiva, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização, quanto à defasagem do mercado de trabalho, para pressionar especialmente os empreendedores a custearem projetos que possibilitem a todos o acesso ao emprego e à renda. Assim, obter-se-ão os requisitos mínimos à restauração da soberania popular.