O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 17/08/2020

Thomas More, pensador e estadista inglês, em sua obra intitulada “Utopia” faz a descrição de uma sociedade sublime, a qual se molda de maneira lógica e harmônica. No entanto, a realidade hodierna observada é oposta àquilo que o autor prega, uma vez que o mercado de trabalho para o jovem apresenta entraves, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Tal antítese é fruto tanto de problemas estruturais, quanto culturais. Diante disso, torna-se essencial a argumentação desses aspectos, visando uma evolução sociocultural.

Inicialmente, faz-se relevante pontuar que o problema  advém de uma atuação ineficiente dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que impeçam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a negligência das autoridades quanto a qualidade do ensino público e desigualdades sociais latentes, muitos jovens se sentem desestimulados a procurarem melhores condições de vida, seja através do trabalho ou estudos, integrando a triste parcela dos “jovens nem-nem”, podendo inclusive se voltarem ao mundo do crime como forma de obtenção de renda. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.

Ademais, é imperativo ressaltar a mídia como fomentadora do problema. De acordo com Theodor Adorno, a indústria cultural na sociedade capitalista, passa a visar o lucro, sem preocupações com os danos causados a seus espectadores. Tais danos se manifestam na forma de luxúrias e fraco desenvolvimento emocional, que culmina em jovens muito idealistas, mas pouco realistas, que sentem extrema dificuldade para encaram as dificuldades da vida. Tudo isso retarda a resolução do problema, já que os males midiáticos colaboram nessa perpetuação deletéria.

Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se, de modo inadiável, que o Congresso Nacional discuta um plano de incentivo a educação pública, tendo como principal objetivo uma maior federalização do ensino brasileiro, visto que, estados e municípios não tem a autonomia necessária para implementar e fiscalizar a educação de forma satisfatória, o que prejudica a sociedade de maneiras incomensuráveis. Assim, atenuar-se-á usando a educação, em médio e longo prazo, os impactos infesto de um mercado fraco de trabalho para o jovem , e a coletividade dará enfim, um passo em direção a Utopia de More.