O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 22/08/2020

Na clássica obra “Tempos modernos”, de Charlie Chaplin, é apresentado um panorama em que a automatização das fábricas de Nova Iorque, em 1936, dificulta o acesso, ao mercado de trabalho, de pessoas que não sejam qualificadas. Traçando um paralelo com a realidade brasileira, nota-se que, no Brasil contemporâneo, assim como na Nova Iorque de 1936, a falta de qualificação da mão de obra torna um desafio, para os jovens, a entrada no mercado de trabalho, inviabilizando o sonho do “primeiro emprego”. Tal fato é preocupante, uma vez que a inserção no mercado de trabalho é de suma importância para que o jovem conquiste sua independência financeira, gerando a oportunidade, para esse indivíduo, de se adequar ao mercado e se qualificar ainda mais, com um curso superior, por exemplo.

Em primeira análise, percebe-se que a falta de mão de obra qualificada, por parte dos jovens, é o principal contratempo a ser superado. De acordo com dados de pesquisas feitas pelo IBGE, em 2015, cerca de 25% da população brasileira é jovem e, destes, apenas 43% possuem o ensino médio completo. Tal fator se mostra preocupante, uma vez que menos da metade da população jovem do país possui a qualificação básica mais exigida pelas empresas: o ensino médio, o que inviabiliza a contratação desses jovens.

Ademais, para o jovem já inserido no mercado de trabalho, a independência financeira oferece a oportunidade de se qualificar ainda mais. Tendo em vista esse aspecto, quanto mais qualificada for a mão de obra desse jovem, mais estável será sua carreira. De acordo com a pesquisa, que tem como base dados do IBGE, a taxa de desemprego dos profissionais qualificados ficou em, apenas, 6,1% no primeiro trimestre de 2019, bem abaixo do índice geral, 12,7%. Sendo assim, fica claro que a cultura do “comodismo” dos profissionais do mercado atual deve ser superada, uma vez que, quanto mais qualificada for sua mão de obra, menos chance ele tem de ficar desempregado.

Portanto, torna-se evidente a necessidade de o Estado intervir e atenuar a situação atual da desqualificação do jovem. Para isso, o Ministério da Educação deve, por meio de convênios com iniciativas privadas de aprendizagem industrial, como o SENAI, disponibilizar cursos de especialização de forma gratuita para jovens que estejam cursando ou que tenham concluído o ensino médio e estejam desempregados, de modo a direcioná-lo a se qualificar cada vez mais. Com isso, espera-se menos desafios e mais oportunidades no mercado de trabalho nacional.