O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 25/08/2020
Charlie Chaplin, no filme Tempos Modernos, tece uma crítica sobre o modo de produção fordista, caracterizado pela repetição de funções do operário no espaço fabril. Notadamente, percebe-se como o mundo orgânico do trabalho é plástico, dado que, no século XXVIII, tal modelo, questionado por Chaplin, era moderno e, consequentemente, o mais funcional. Dessa maneira, é de suma importância analisar o mercado de trabalho, nesse caso, para o jovem contemporâneo, sob o prisma dos desafios e oportunidades. Ao passo que percebe-se não só a exclusão digital que boa parte dos brasileiros está submetida, como também a dissonância entre a Constituição Cidadã e a realidade exposta.
A princípio, Heidegger, filósofo alemão, declarou, em 1950, que o pensamento computacional torna-se-ia uma maneira prevalente de pensar. De fato, as relações sociais, na contemporaneidade, são permeadas pelos computadores, como observa-se, por exemplo, no mundo orgânico do trabalho, o qual exige que o indivíduo pós-moderno tenha competências alinhadas à conjuntura da conexão via rede. No entanto, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, em 2017, afirmou que um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet. Desse modo, torna-se evidente que muitos jovens estão excluídos das exigências do mercado de trabalho, pela falta, sobretudo, de oportunidades equitativas, dado que a exclusão digital imprime tal cenário.
Outrossim, a Constituição de 1988 estabelece que é dever do Estado garantir um ambiente que estimule o desenvolvimento do jovem, todavia, percebe-se uma contrariedade. Esse paradoxo, por sua vez, expressa-se, seja pela questão associada à internet- como já supracitada-, seja pela falta de políticas públicas para transformar tal contexto. Nessa lógica, ecoa-se o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, nota-se que a dissonância perante os dispositivos da Carta Magna e a narrativa factual é um desafio que precisa ser solucionado.
Logo, é mister que o Estado mude essa situação. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo, mediante mapeamento logístico, identifique as regiões que não há internet disponível e, assim, desenvolver cursos profissionalizantes gratuitos destinados aos jovens de tais localidades, com intuito de capacitá-los para o mercado de trabalho. Além disso, o Terceiro setor, aliado à mídia televisiva, venha a realizar campanhas publicitárias, com depoimentos de cientistas sociais, que dissertem sobre a relação do Estado e o mundo do trabalho, objetivando dirimir o desacordo ante a Constituição e os fatos expostos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas atrelados a tal contexto no tecido social hodierno.