O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 25/08/2020

A obra literária “Admirável Mundo Novo” do escritor inglês Aldous Huxley tem como pauta uma sociedade utópica onde cada cidadão possui um emprego e detém uma função. Fora da ficção, essa fantasia não perpetua no meio social, tendo em vista a difícil inserção dos jovens no mercado de trabalho, caracterizando-se, assim, como um óbice para o progresso do país. Essa situação possui raízes que corroboram para a persistência dessa problemática, tais como: a desigualdade social e as exigências inflexíveis das empresas.                                                                                                               Em primeiro plano, cabe ressaltar que o conjunto das desigualdades sociais são intrínsecas para o crescimento da população jovem inativa. Consoante ao filósofo iluminista Jean-Jacque Rousseau, a civilização humana é a base da desigualdade entre os homens, ou seja, a dinâmica da sociedade gera desequilíbrio econômico e pobreza. Sob esse viés, é notório que a parcela que mais possui dificuldade para ingressar no mercado de trabalho é a população economicamente pobre, uma vez que sofre com os índices de baixa escolaridade e evasão escolar presentes no Brasil. Nessa conjuntura, os postos de trabalho são preenchidos por jovens com melhores qualificações educacionais, isto é, aqueles de maior renda financeira.                                                                                                                                              Em segundo plano, vale salientar a falta de flexibilidade e estratégias das empresas para auxiliar o público jovem com o primeiro emprego. O termo “Paradoxo da experiência”, presente no cenário laboral e vigente na hodierna sociabilidade capitalista, implica na discordância das redes empresariais que priorizam a contratação dos jovens que já possuem experiências no mercado de trabalho. Dessa maneira, negando oportunidade àqueles que mesmo sem prática possuem bagagem intelectual e teórica.                                                                                                                                                           Urge, pois, que o Governo Federal incentive as empresas na contratação de jovens sem experiências, com programas de aprendizagem profissional e ampliação daqueles já existentes, por exemplo o Jovem Aprendiz, através da diminuição de tributos fiscais às empresas que adotarem aos programas com o intuito de aumentar o número de adolescentes trabalhadores, garantindo, assim, um Brasil capaz de possibilitar aos seus jovens um efetivo engajamento social. Outrossim, o Ministério da Educação deve implementar na grade curricular das escolas públicas matérias voltadas para o empreendedorismo, com conteúdos ligados á contabilidade, através do redirecionamento de verbas, a fim de conseguir formar adolescentes capacitados, assegurando, dessa forma, uma sociedade mais desenvolvida e  próxima da utopia relatada no livro “Admirável Mundo Novo”.