O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 26/08/2020

A Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, configurou uma nova configuração trabalhista ao mundo desde que ocorreu. A partir disso, iniciaram-se diversas lutas trabalhistas, que acarretaram em avanços laborais, com a introdução das maquinofaturas e, logo após, a divisão do trabalho. Sob esse viés, observa-se contemporaneamente que as tecnologias viabilizam as jornadas cada vez mais extensas, fazendo com que a ocorrência de doenças psíquicas aumente entre esse grupo.

Em primeiro plano, ressalta-se que o mercado de trabalho contemporâneo exige longas jornadas de trabalho, uma vez que a internet proporciona facilidade de acesso ao ambiente laboral por muitas das vezes, de modo que, mesmo em casa, o indivíduo seja obrigado a trabalhar. Desse modo, não existe mais uma separação dos horários de lazer e trabalho, necessárias para que se mantenha a psique humana saudável, e as pessoas aderem à esse hábito, uma vez que ele é normalizado na sociedade hodierna. O expoente filosófico de Pierre Bordieu, nomeado “Habitus”, conceitua a normalização do comportamento entre um corpo social. Dessa maneira, o trabalho ocorrente em todos os momentos na vida do ser humano, vem sendo intrínseco a condição do ser hodiernamente.

Em uma segunda análise, é fulcral que essa condição de trabalho intenso gera uma sociedade com a saúde mental instável e prejudicada. Isso porque a atividade laboral torna-se o principal objetivo da vivência humana, pois o indivíduo acredita que a única maneira de atingir a felicidade é por meio de uma alta condição financeira. Sob esse viés, evidencia-se o pensamento de Aristóteles, filósofo grego da antiguidade, conceituou a “Eudaimonia”, que afirma que ser feliz é o fim mais perfeito que o ser humano poderia alcançar. Analogamente, através da lente mercadológica, o dinheiro é a via de atingir o eudaimonismo. Dessa forma, o indivíduo torna-se escravo do trabalho ao objetivar riqueza como estado pleno de vivência, e quando não a têm, vê-se em episódios depressivos, ou ansioso, enquanto não adquire a tão sonhada estabilidade financeira.

Portanto, é notável que o mercado de trabalho contemporâneo ocasiona as jornadas extensas e as patologias psicológicas. Dessarte, faz-se necessário que o Ministério da Cidadania, por meio da pasta do trabalho, fiscalize as empresas, de modo frequente, para que cumpram o horário de trabalho assegurado pela lei, sem que abuse dos contratados, garantindo que os padrões estabelecidos pela lei sejam seguidos. Essa atitude visa que os trabalhadores não passem do horário e não trabalhem em casa, de maneira que não desenvolvam problemas psicológicos. Assim, os males trazidos pela Revolução Industrial não se perfariam em tempos hodiernos.