O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 02/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se-à ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto que o autor prega, uma vez que o mercado de trabalho para o jovem contemporâneo apresenta barreiras, as quais dificultam os planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de um má qualidade na educação, quanto de uma crise econômica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o mercado de trabalho deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Em primeiro lugar, a educação básica brasileira ainda não oferece adequadamente um suporte para o aprendizado tecnológico, grande maioria das escolas não possuem uma infraestrutura adequada para esse objetivo, como resultado, acaba prejudicando na formação dos alunos e na preparação para ingressão ao mercado de trabalho essencialmente tecnológico. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a crise econômica como promotora do problema. De acordo com o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim a nossa relação com ela. Partindo desse pressuposto, é importante analisar o cenário econômico em que o Brasil se encontra, a partir do momento que o país se encontra em uma crise, acontecem as demissões em massas e os empregados param de oferecer vagas. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a crise econômica contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática na sociedade brasileira. Cabe ao Governo a responsabilidade de tomar as medidas necessárias para amenizar os reflexos de crise, trabalhando não só na oferta de cargos públicos, como também em parceria com empresas privadas, estimulando a abertura de novas vagas. Além disso, as inciativas das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação para disponibilizar, renovar ou adequar as infraestruturas tecnológicas das escolas e a disponibilização de cursos de capacitação para profissionais mais antigos ou que estejam afastados há um certo tempo de emprego. Enfim, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do mercado de trabalho para o jovem, e a coletividade alcançará a Utopia de More.