O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 01/09/2020
O mundo está cheio de pessoas úteis, mas vazio de quem lhes dê emprego, frase proferida pelo pedagogo Johann Pestalozzi que retrata bem o cenário vigente. É notório que as taxas de desemprego sempre estiveram associadas às condições de crise econômica do país e ao crescimento demográfico da população. Não obstante, o segmento infantil é o mais afetado, principalmente, os jovens de baixa renda, seja por falta de qualificação profissional, seja pela escassez de oferta.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação de jovens com faixa etária entre 14 a 24 anos, no último trimestre de 2018, era 2,3 vezes mais alta que a taxa de desemprego da economia. Comprova-se portanto, que o desemprego atinge fortemente a população mais jovem e vale ressaltar que, grande parte desses indivíduos são pertencentes a menor classe social. Dessa forma, a queda da ocupação dos jovens pode estar atribuída a falta de aptidão profissional, ocasionada pela restrição do acesso à cursos de capacitação e treinamentos, de determinados grupos sociais que são desfavorecidos pela políticas públicas existentes.
Apesar da criação de programas com intuito de inserir jovens ao mercado de trabalho, como o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) e o Programa de Aprendizagem, em 2014, as contratações de aprendizes eram apenas 32 % do total de contratos potencialmente previstos na legislação vigente de acordo com o estudo técnico do consultor legislativo Adolfo Furtado. De modo que, os resultados insatisfatórios estão diretamente correlacionados ao baixo nível de qualificação dos jovens. Assim sendo, mesmo com incentivos, as empresas não demonstram interesse na contratação de mão de obra que não atende as necessidades do empregador, o que contribui para o aumento dos índices de jovens desempregados.
Averigua-se, contudo, que medidas devem ser tomadas para aumentar a inserção dos jovens ao ramo profissional. O governo deve criar políticas públicas mais específicas e direcionadas aos jovens de baixa renda, visando a melhoria na qualidade de ensino e a experiência profissional voltadas para a necessidade dos empregadores, de modo a garantir não só a contratação como a continuação dos estudos dessas pessoas. Outrossim, deve ser estudado a possibilidade da redução de custos ou subsídios para estimular empresas a investirem em indivíduos dessa faixa etária. Somente dessa maneira, haverá jovens qualificados e acesso igualitário às possibilidades de emprego.