O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 18/09/2020
Durante o século XVIII, com o desenvolvimento dos processos industriais na Inglaterra, o trabalho infantil e jovem foi muito explorado, tendo jornadas de trabalho de até 16 horas por dia. Nesse contexto, tornou-se previsível que as ideologias trabalhistas circulantes na Europa fossem alcançar o território brasileiro. Contudo, os processos industriais nacionais só vieram a se desenvolver no século XX. Esse cenário é a expressão não apenas da incapacidade receptiva do mercado de trabalho para com os jovens, mas também das dificuldades encontradas pelos empresários em arcar com toda a gama de exigências estatais que são solicitadas logo após a abertura de uma nova vaga de emprego.
Em primeiro lugar, é observável que ainda na contemporaneidade existem resquícios dos problemas relacionados ao desemprego de jovens. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do total de jovens de 18 a 24 anos que estão em busca de emprego, apenas 24% obtiveram êxito na ocupação de vagas de trabalho. Tal conjuntura representa a criação de barreiras no mercado de trabalho para os jovens, posto que em um curto período de tempo passou-se a exigir inéditas capacitações para a ocupação dos novos postos de emprego. Logo, constata-se que é fundamental que processos de flexibilização e incentivo à entrada destes no mercado de trabalho sejam estabelecidos no país.
Outrossim, pode-se ainda frisar a baixa demanda, no Brasil, por trabalhos que exijam alto nível de escolaridade. A Organização Internacional do Trabalho, em pesquisas, demonstrou que em países desenvolvidos a criação de postos de trabalhos para pessoas de alta escolaridade aumentou, enquanto que em países emergentes, como o Brasil, o número de empregos para a ascendente classe de jovens com alta escolaridade diminuiu, contrastando com a crescente disponibilidade de empregos para pessoas de baixa escolaridade. Esses fatos, por si só, representam os desafios enfrentados pelos jovens qualificados no país, posto que a posse da capacitação profissional não garante a entrada no mercado de trabalho, mas a sua ausência é tida como fator favorável ao ingresso no ambiente laboral.
Por conseguinte, torna-se evidente a necessidade da intervenção estatal para a melhoria do espectro trabalhista no Brasil. Para tanto, o Governo Federal deve flexibilizar a burocracia aos empresários que contratam um significativo número de jovens, por meio da diminuição de encargos e de impostos para as empresas contratantes dos mesmos. Além disso, urge que o Ministério da Educação crie iniciativas voltadas à profissionalização de jovens, como cursos técnicos gratuitos, a fim de capacitá-los para a competitividade do mundo atual. Com isso, a receptividade no mercado para os jovens aumentará e essa geração poderá atuar na ponta das buscas por melhorias na sociedade.