O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 04/10/2020

A obra “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimestein, defende que os direitos do cidadão brasileiro se restringem tão somente à forma de lei, usufruindo de uma cidadania aparente. Nesse viés, ressalta-se, contemporaneamente, no Brasil, que o Estado falha em inserir jovens no mercado de trabalho, especialmente em momentos de crise econômica. Esse imbróglio é reforçado pela falta de programas efetivos para auxílio dessa população, que tem como consequência uma alta taxa de desemprego entre jovens.

A priori, é incontestável que a ineficiência governamental está entre as causas do problema. Nesse prisma, Platão, há dois milênios, idealizou a teoria da cidade justa em que, nela, tudo era perfeito. Entretanto, no Estado brasileiro hodierno, a tese do filósofo perde espaço quando se observa a ineficácia de ações do governo para aumentar empregabilidade de jovens. Um desses fatores, é a oferta de cursos profissionalizantes, que não são oferecidos de maneira democrática e igualitária, já que são poucas as instituições educacionais que os oferecem em conjunto com o ensino médio. Devido a isso, muitos estudantes formam-se sem terem nenhuma qualificação profissional. Ademais, são baixas as vagas obrigatórias do programa Jovem Aprendiz em empresas. É evidente, portanto, que o Estado é omisso em relação à população jovem e deve agir em prol de sua empregabilidade.       Outrossim, destaca-se a dificuldade de inserção de pessoas sem experiência no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Erving Goffman, a Teoria do Estigma Social preconiza a existência de ações preconceituosas que designam indivíduos como desvalorizados e menos qualificados. Isso se aplica à população jovem ao observarmos a baixa empregabilidade. Desta maneira, sabe-se que, em períodos de crise econômica, o número de contratações é baixo e o de demissões alto. Sendo assim, as empresas priorizam a contratação de cidadãos com experiência, por julgarem que oferecem menor risco. Desta forma, é inegável a dificuldade desta população na procura dos primeiros empregos.

Diante desse cenário, é mister que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. O Estado deve, por meio do Ministério da Educação, integrar o ensino médio ao ensino profissionalizante em todas as escolas brasileiras, visando melhorar a qualificação dos estudantes. Além disso, ele deve, através do Ministério do Trabalho, aumentar as cotas obrigatórias no programa Jovem Aprendiz, para que mais adolescentes sejam empregados em empresas privadas e públicas. Com essas medidas sendo tomadas, o jovem brasileiro poderia, finalmente, exercer seu direito constitucional de acesso ao trabalho.