O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 07/10/2020

Nas obras de Emile Durkheim são defendidas ideias de que a sociedade capitalista contemporânea funciona com base no conceito de “Solidariedade Orgânica”, no qual evidencia-se uma elevada divisão do trabalho aos indivíduos, o que fortalece a singularidade do cidadão e corrobora para uma interdependência entre eles, associando a coletividade a um organismo, em que cada qual possui uma especialidade única e, executando sua função, sustenta a estrutura social. No entanto, quando determinados grupos com potencial perante a economia, como a classe juvenil, são distanciados do mercado de trabalho, o ciclo da cooperatividade é quebrado. Assim, a partir do momento em que conjuntos como os jovens são excluídos do âmbito trabalhista, estes são e prejudicados e, concomitantemente, são causados danos ao setor econômico, fato devido à momentânea falta de instrução profissional e à notória inatividade praticada por parte da juventude.

Em primeiro plano, o conhecimento ainda imperfeito tido pelos jovens é um agravante da problemática. Segundo apuração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 49% da classe juvenil se encontra em processo de qualificação. Nesse sentido, quando o indivíduo não possui competência na área que aspira, não obtém oportunidade graças à sua inexperiência. Por isso, como metade da população menor de idade está em processo de capacitação profissional, grande parte desse grupo se encontra excluso do contexto trabalhista, prejudicando o sistema econômico contemplado.

Ademais, é significante observar como a inatividade percebida entre a classe juvenil é danosa à estrutura social. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, no Brasil, cerca de 10 milhões de jovens não trabalham nem estudam. Desse modo, a partir do momento em que parte dos jovens não possuem ambição de realização profissional ou não obtém condições para serem inseridos no mercado de trabalho, grande parcela desse grupo está afastada do meio trabalhista, o que faz com que o seu potencial para se tornar parte da população economicamente ativa do país seja perdido.

Por todos esses aspectos, a questão do mercado de trabalho para o jovem contemporâneo é tida como um desafio. Sendo assim, o Estado, juntamente à Secretaria do Trabalho, deve, por meio do aperfeiçoamento dos privilégios do empregado, como a CLT, que visem dar visibilidade e suporte à juventude nesse contexto, assegurar a inserção completa da classe juvenil no meio do trabalhador, para que todos os grupos da sociedade participem da coletividade econômica e, dessa maneira, o apoio aos calouros no âmbito trabalhista se torne um dos pilares da organização da sociedade. Em suma, na realidade atual, para que a ordem e o progresso sejam alcançados, cada cidadão, incluindo aqueles na fase inicial da vida, devem cumprir seu papel na coletividade social, como dizia Emile Durkheim.