O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 06/10/2020
Segundo o filósofo moderno John Locke, os homens gozam de direitos que os caracterizam livres: o da vida, igualdade e propriedade privada, sendo este último derivado do trabalho e portanto, natural. Paralelo a esse pensamento, percebe-se que a importância dada ao trabalho remonta aos tempos mais remotos. No entanto, na contemporaneidade, são notoriamente observadas as inúmeras dificuldades relacionadas à inserção dos jovens no universo laboral, as quais por serem derivadas da forte desigualdade social, atrelada ao não incentivo à qualificação profissional juvenil por parte do Estado, se mantêm constantes nos dias atuais.
De início, cabe destacar a relação entre a disparante desigualdade socioeconômica no Brasil e os desafios na inserção dos jovens no mercado de trabalho. Isso porque, em decorrência das diferentes oportunidades no que tange ao acesso a uma educação de qualidade entre jovens pertencentes a diferentes classes sociais, a inclusão no universo laboral se torna amplamente desigual. Desse modo, o mercado de trabalho passa a ser cada vez mais elitista, e a baixa qualificação profissional entre jovens vulneráveis socialmente, constante. Pode-se atrelar esse panorama ao processo histórico de formação educacional brasileira, introduzida com a chegada da família real, em que apenas filhos de ricos poderiam ingressar nas faculdades e escolas construídas no país.
Do mesmo modo, é válido ressaltar a vinculação entre o baixo incentivo à inserção dos jovens no ambiente de trabalho, por parte do Estado, e a ocorrência de tal problemática. Justifica-se isso pelo fato de que, em virtude da baixa priorização governamental no que se refere ao estímulo trabalhista juvenil, a porcentagem de jovens que adentram no universo laboral ainda é pouco significativa no país. Constata-se isso com base nos dados disponibilizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os quais mostram que cerca de 23% dos jovens não estão inseridos nem no âmbito educacional, nem no trabalhista, no Brasil.
Portanto, é notório a forte relação entre questões sociais e logísticas do país e a manutenção de uma baixa inserção juvenil no mercado de trabalho. Assim, é viável uma maior efetivação da lei federal de introdução do jovem no âmbito laboral, através da criação de um Programa Nacional de Incentivo ao Jovem no Trabalho, por meio da introdução de um modelo educacional técnico em quase todo o ensino médio brasileiro, associado a possibilitação de bolsas de estudo aos alunos mais carentes. Tal ação deverá ser realizada por intermédio do Ministério da Educação, de modo a permitir uma maior qualificação profissional juvenil e equidade no que se refere a introdução dos jovens no mercado de trabalho. Logo, o direito natural citado por Locke poderá, enfim, ser vivenciado por todos.