O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 09/10/2020

A Constituição Federal garante, no seu artigo sexto, os direitos inerentes aos cidadãos brasileiros, entre eles o de acesso ao trabalho. No entanto, no que tange aos jovens e sua inserção no mercado, tais prerrogativas básicas são muitas vezes descumpridas. O Estado é incapaz de propiciar condições econômicas adequadas ao crescimento da oferta de vagas, promovendo o número de jovens e adultos que não conseguem trabalho. Além disso, a educação pública é pouco voltada aos interesses de empregadores e do mercado , contribuindo para a marginalização empregatícia da população mais nova. Desse modo, faz-se necessário que tais problemáticas sejam sanadas, a fim de gerar uma sociedade mais justa e integrada.

A priori, a gestão nacional é falha na tentativa de superação de crises e avanço econômico. Com início na década de 1980, ganharam força no cenário global as ideias neoliberais, marcadas pela mínima intervenção estatal em grande parte dos setores. No entanto, tal ideário agravou as diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, culminando na crise de 2008. O Brasil sofre as consequências de tal instabilidade ainda na atualidade devido à ineficácia da mitigação dos danos econômicos, perpetuando a baixa oferta de empregos e a alta taxa de demissões, excluindo principalmente trabalhadores inexperientes, em sua maioria jovens. Assim, é necessária uma alteração nessas condições para que se garanta o acesso da população ao trabalho.

Ademais, o sistema educacional brasileiro não é orientado para a inserção de seus alunos ao mercado, promovendo, assim, sua menor admissão em processos seletivos. O sociólogo Zygmunt Bauman considera que vive-se na atualidade na chamada ‘‘Modernidade Líquida’’, na qual a velocidade das mudanças exige uma constante qualificação do trabalhador. Nesse sentido, a educação brasileira não constrói as bases para a especialização profissional, gerando, assim, cidadãos despreparados para a fugacidade do mercado e que tendem a serem marginalizados nas alterações constantes do sistema capitalista. Evidencia-se, portanto, a necessidade de direcionar o ensino nacional para tal finalidade.

Para solucionar a problemática exposta, faz-se necessário que o Ministério da Economia, em parceria com bancos públicos e privados, incentive o microempreendedorismo em comunidades carentes, fornecendo empréstimos com baixos juros, a fim de gerar uma economia inclusiva, aumentando, desse modo, a geração de capital nacional e mitigando as desigualdades. Além disso, o Ministério da Educação deve promover mudanças na Base Nacional Comum Curricular, adicionando disciplinas técnicas, visando a uma absorção dos alunos pelo mercado de trabalho. Assim, pode-se garantir o acesso da população jovem ao trabalho, cumprindo-se, portanto, o direito evidenciado na Constituição.