O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 19/10/2020
Os princípios éticos calvinistas sustentam a ideia de que o trabalho dignifica e equaliza as relações humanas, tal pensamento foi fundamental para a consolidação do Capitalismo após as revoluções liberais do século XIX. Contudo, aplicada a realidade do mundo contemporâneo, esse conceito se mostra frágil perante a concentração de renda e dos meios de produção que selecionam, de forma indireta, indivíduos favorecidos economicamente para ocupação dos melhores postos de trabalho. Dessa maneira, jovens de origem humilde acabam marginalizados pela falta de oportunidades, esta que é agravada pela qualificação profissional precária dos mesmos.
Diretamente associada à essa conjuntura, a educação é o fator diferencial para a entrada no mercado de trabalho, em especial para as profissões mais competitivas. No Brasil essa questão é agravada pelo sucateamento do ensino público, este que é visto pela necessidade da existência de ações afirmativas para o acesso à universidade. Conhecida como política de cotas, essa configuração ajuda a amenizar a desigualdade existente entre os alunos das escolas públicas e privadas, tornando os processos seletivos mais justos e equitativos.
Entretanto, as elites brasileiras costumam criticar tais medidas, afirmando que as mesmas são um atentado ao exercício da meritocracia, esta que alude à ideia de que um jovem periférico não se esforçou o bastante para conquistar uma vaga na universidade, ou no mercado de trabalho. O grande problema dessa questão é a existência dos privilégios de classes, estes marcados pelo acesso á intercâmbios, cursos de idiomas, formação artística, e diversos recursos culturais que devido ao seu alto custo são inacessíveis ao percentual mais pobre do país.
Logo, é evidente a importância da escola para a resolução dessas assimetrias sociais relacionadas à inclusão da juventude no mercado de trabalho. Como alternativa, cabe uma ação conjunta entre as escolas e universidades que vise a criação de parcerias com o setor privado desenvolvendo projetos de capacitação profissional, como cursos de idiomas, empreendedorismo, e políticas trabalhistas. O Ministério da Educação deve mediar a execução dessas ações, oferecendo suporte financeiro similar às iniciações científicas e subsidiando simpósios e intercâmbios culturais que incentivem uma formação técnica e científica. Os alunos mais prejudicados pelo sistema atual devem ser o foco da questão, tal prioridade garantirá a equidade, esta que por sua vez é o substrato para a existência da verdadeira meritocracia sobre o mercado de trabalho.