O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 21/10/2020

Um diploma de nível superior é, ainda hoje, um privilégio que apenas uma pequena parcela da população tem acesso. Dessa forma, o ensino superior é tido como fator essencial para mudança da condição socioeconômica de famílias de baixa renda. Entretanto, nos últimos anos, o que observou-se foi uma queda nos postos de trabalho que exigiam formação superior e de formandos que são absorvidos pelo mercado de trabalho, resultado não apenas da crise econômica, mas também de jovens que não estão preparados para o mercado. Assim, faz-se necessário analisar quais são as dificuldades e oportunidades encontradas por jovens que buscam o primeiro emprego.

Deve-se destacar, primeiramente, a falta de experiência de recém graduados na sua área de formação.  Isso se deve, em parte, ao baixo número de universitários que estagia, e que de certa forma, se prepara para o mercado de trabalho pós universidade. Dessa forma, os jovens graduam e saem em busca de emprego sem estarem munidos de uma das ferramentas que os empregadores mais exigem, a experiência. Esse panorama é resultado de universidades que preparam os estudantes para um mercado de trabalho que já não existe, no qual o recém formado era absorvido de imediato por esse e  de um ambiente escolar que não trabalha na elaboração de programas que busquem auxiliar esses jovens à adentrarem a vida profissional.

Ademais, é imprescindível destacar a importância de programas como o Jovem Aprendiz, que busca capacitar e inserir no mercado de trabalho adolescentes e jovens adultos. Dados do Ministério da Economia de 2018 apontam que cerca de meio milhão de jovens são beneficiados por esse programa, que nesse ano ofertava o dobro do número de vagas que foram efetivamente preenchidas. Ou seja, a falta de engajamento de empresas e empregadores em relação ao programa impede que mais pessoas sejam agraciadas por esse - plataforma essa que colabora com a diminuição da evasão escolar em decorrência do trabalho infantil.

Logo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e ao Ministério da Educação, trabalhar na ampliação do programa Jovem Aprendiz e na elaboração de feiras, em escolas de ensino médio regular e nas de ensino técnico, que promovam o contato direto entre alunos e empregadores, proporcionando que ambos os lados se beneficiem. Além disso, o MEC deve ofertar a alunos de ensino superior cursos extracurriculares, como cursos de empreendedorismo, que visem preparar esses jovens para o mercado de trabalho. Ademais, o Legislativo deve tornar obrigatório uma cota, por empresa, de estagiários, o que beneficiará esses jovens com a oportunidade de ganharem experiência. Dessa maneira a educação se tornará um passaporte universal ao mercado de trabalho.