O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 16/11/2020

De acordo com Milton Santos, geógrafo brasileiro, nunca houve, na história da humanidade tantas condições técnicas e científicas para a construção da dignidade humana. Nesse sentido, o Brasil vai de encontro ao pensamento do profissional no que tange ao mercado de trabalho para os jovens brasileiros. Isso ocorre, pois, apesar de haver muitas oportunidades, os desafios também são significativos, sendo necessário resolver essa problemática.

Primeiramente, é importante ressaltar que pessoas com menos de 24 anos correspondem a 18% dos brasileiros e essa é a parcela que tem tentado entrar no mercado de trabalho. Por esse viés, há obstáculos advindos do próprio mercado de trabalho. Um exemplo disso é a exigência de experiência logo após a graduação, na entrevista de emprego, eliminando boa parte dos candidatos à vaga, o que resulta na contratação de pessoas mais velhas. Ademais, o aumento do desemprego faz com que muitos jovens passem apenas a trabalhar e deixem de se capacitarem e se qualificarem, por meio do estudo, para esse sistema. Isso é comprovado por uma pesquisa do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em que 46% dos jovens de 18 a 24 anos apenas trabalhava, enquanto 15% somente estudava. Dessa forma, conseguir um emprego depende de muitos fatores importantes.

Outrossim, é necessário destacar que, de forma ainda limitada, há incentivos para a inclusão dos jovens no mercado de trabalho. Isso é perceptível, por exemplo, pelo Programa Jovem Aprendiz, liberado e sustentado pela Constituição Federal, o qual emprega indivíduos de 14 a 24 anos, com cotas de 5 a 15% — dependendo da empresa — em atividades teóricas e práticas de diversas áreas do conhecimento, o que significa uma oportunidade de inclusão com o primeiro emprego e de desenvolvimento de habilidades para entrar no mundo corporativo. Além disso, o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) oferece cursos e palestras que contribuem para a qualificação dos profissionais e pode ter vínculos com instituições de ensino. Assim, algumas empresas e outros centros dão suporte para os jovens pela ênfase no aprimoramento dos conhecimentos de acordo com a demanda do mercado cada vez mais exigente.

Diante do exposto, é perceptível que a inclusão no mercado de trabalho não é fácil, mas há alternativas para que os jovens tenham oportunidades, sendo necessário melhorá-las. Para isso, as universidades devem fazer parcerias com instituições, como a CIEE, para auxiliar na qualificação dos jovens, por meio de cursos profissionalizantes e palestras, os quais apresentem o mercado atual e suas exigências, além de oferecer práticas cotidianas, tal qual o programa Jovem Aprendiz, a fim de garantir a adaptação na área desejada e o ganho de experiência, além da construção da dignidade dos jovens.