O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 23/10/2020

Na obra “A Sociedade Individualizada” do sociólogo Zygmunt Bauman, é apresentada uma sociedade que se comporta de acordo com a necessidade do mercado, isto é, uma sociedade que toma medidas visando apenas o lucro. No Brasil atual, esse cenário se reverbera, pois mesmo com a consolidação de leis acerca do mercado de trabalho para o jovem, menos oportunidades vêm sendo direcionadas para a área. Nesse âmbito, uma pergunta se faz presente, quais os desafios e oportunidades do jovem contemporâneo no mercado de trabalho?

Primordialmente, é preciso entender que desde a Lei da Aprendizagem regulamentada em 2005, 5% a 15% do quadro de funcionários deveriam ser de jovens aprendizes, uma porcentagem que deveria gerar mais de 900 mil vagas só em 2019. No entanto, segundo o G1, na busca por lucros instantâneos, apenas 300 mil jovens aprendizes surgiram nesse período, deixando mais de 2/3 dos jovens sem ter sequer uma única experiência de trabalho até sua maioridade, ocasionando uma crise no mercado futuro. Outrossim, segundo o filósofo e sociólogo Émile Durkheim, o meio social é como um corpo biológico, dessa forma, para o combate de uma crise é preciso que as partes interajam de forma consciente, no qual medidas públicas devem ser tomadas para garantir formação de excelentes profissionais em todos os âmbitos da sociedade.

Sob esse prisma, é importante analisar que a falta de oportunidade, vem criando um sentimento no jovem brasileiro, o sentimento de empreender. De acordo com o SEBRAE, 74% dos jovens querem empreender, gerando emprego e renda para centenas de outros jovens. Tudo isso somado a uma pandemia, como o COVID 19, no qual o desemprego cresceu e o mercado digital cresceu, ocasionou na criação de milhares de novas empresas, que são administradas por jovens.

Diante do exposto, é possível observar o direito do jovem no que tange ao mercado de trabalho e sua capacidade de crescimento. A falta de oportunidade é inadmissível, sobretudo em tempos de crise. Nesse sentido, é necessário um trabalho em conjunto com o meio social. O ministério da economia deve direcionar um crédito especial para jovens empreendedores, e oferecer amplos concursos públicos para jovens de 18 a 25 anos no intuito de preencher a máquina pública com jovens. Para que assim, obras como “A Sociedade Individualizada” sejam apenas cenários fictícios e não reverbere no Brasil hodierno.