O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 28/10/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto no clássico literário “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a dificuldade de inserção do jovem contemporâneo no mercado de trabalho, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelas alto índice de desemprego, seja pela negligência governamental, a inserção dos jovens brasileiros no mercado de trabalho, continua sendo um desafio, oque exige reflexão urgente.
No século XVIII, com o aumento do número de desempregados na Europa, causado pela chegada das máquinas da primeira Revolução Industrial, se observou um fenômeno, conceituado futuramente pelo sociólogo Karl Marx, como “Exército Industrial de Reserva”; o alto número de pessoas procurando emprego fez com que as empresas europeias oferecessem salários indignos e demitissem mulheres e homens mais idosos, para contratar trabalhadores dentro de uma faixa etária estipulada e com experiências profissionais anteriores. Percebe-se uma linha clara diante do exposto: a saturação do mercado de trabalho causa a marginalização dos grupos considerados “menos qualificados”, na realidade brasileira, dos jovens.
Além disso, também vale ressaltar o descaso Estatal; a cidade de Ribeirão Preto- SP conta com o CIEE -Centro de integração empresa escola- o projeto, de iniciativa privada, visa a inserção de adolescentes no mercado de trabalho, oferecendo cursos de capacitação para estes e realizando convênios com empresas locais, que conhecendo o treinamento dado aos jovens, os contratam. No entanto nem todas as cidades brasileiras tem a sorte de contar com esse sistema. Consoante a isso, reinvindicações da sociedade direcionadas ao Estado pela criação de projetos como o Centro de Integração empresa escola são necessárias para que haja mudanças nessa área.
Portanto, a inserção do jovem contemporâneo no mercado de trabalho, apresenta barreiras preocupantes. Para amenizar o cenário atual urge que o Estado ofereça isenções fiscais para empresas e empreendimentos que abrirem processos seletivos, a fim de que se diminua o número de desempregados, e consequentemente do “exército industrial de reserva”, que dificulta a contratação dos jovens brasileiros. E ainda, cabe ao Governo Federal a disponibilização de verbas governamentais para criação de projetos como o CIEE com intuito de capacitar os jovens, por meio de aula semanais voltadas à funções corporativas, como atendimento ao cliente -por exemplo- e com isso, facilitar a entrada desses no mercado de trabalho. Espera-se com isso, que todo jovem tenha a oportunidade de ter um emprego. Somente assim, nos aproximaremos do país utópico idealizado por Policarpo.