O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 27/10/2020
O geógrafo Milton Santos elucidou que a globalização é uma fábula, dado que não há uma homogeneização das benesses sociais. Nesse sentido, ao analisar a questão do jovem contemporâneo no mercado de trabalho, no contexto das oportunidades, nota-se uma conjuntura que ratifica o pensamento de Milton. Desse modo, verifica-se não só o sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação da Constituição, como desafios que precisam ser vencidos.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação da realidade sociocultural. No entanto, um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), evidenciando, assim, uma sociedade distante da ideologia de Freire. Tal situação, por sua vez, torna-se mais preocupante, pois o mundo orgânico do trabalho tem se apresentado conectado à internet, mediante processos produtivos viabilizados pela web. Nessa lógica, as qualificações profissionais exigidas não são visualizadas em todos, devido, sobretudo, ao cenário de exclusão digital. Dessa maneira, há um sistema educacional deficitário, o qual não consegue proporcionar um tecido social propício a inserção do jovem no mercado de trabalho de forma plena.
Outrossim, a partir da interpretação da Constituição de 1988, entende-se que é dever do Estado fomentar um ambiente harmônico a todos. Entretanto, percebe-se uma outra situação: a falta de políticas públicas, com o fito de dirimir desafios enfrentados pelo jovem na sua inserção no mercado de trabalho, seja pela persistência da exclusão social que mitiga oportunidades, seja pela falta de agendas parlamentares relacionadas à mudança da conjuntura supracitada. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que a sociedade, apesar de ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, nota-se a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual que precisa ser resolvida.
Logo, infere-se que o mercado de trabalho para o jovem, sob o prisma dos desafios e oportunidades, é uma questão relevante e carece de solução. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize um reforma educacional- por intermédio de debates com o Ministério da Educação-, a fim de transformar a realidade social. Posto isto, é imperioso que tal ação interventiva foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs (Organizações Não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias- por meio de depoimentos de cientistas sociais-, que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar a Constituição. Dessa forma, atenuar-se-ão as fabulações da globalização, como supôs Milton.