O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 10/11/2020

Datado da era iluminista do século XVIII, Immanuel Kant foi um filósofo alemão que detinha o pensamento de que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Semelhantemente, o artigo 26 da Declaração dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) garante a todos os seres vivos o direito à educação para o pleno desenvolvimento humano. A realidade no Brasil, porém, é outra: por falta da instrução necessária nas escolas, bem como a ausência de incentivo público, a juventude precisa enfrentar uma série de desafios se quiser se incluir no mercado de trabalho, problemática que deve ser analisada e debatida.

Em primeiro lugar, é preciso entender como John Locke, filósofo contratualista do século XVII, em sua obra “Ensaio Acerca do Entendimento Humano” explica o conceito de “tábula rasa” como sendo a folha em branco que cada indivíduo é. Esta, é preenchida com as experiências que esse indivíduo vai tendo ao decorrer da vida, agindo de forma a moldá-lo. Diante disso, seria racional pensar que o ensino teria um papel de maior importância no desenvolvimento de um país, o que não ocorre no Brasil. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 23% dos jovens não exercem nem a atividade de trabalho, nem a de estudo, demonstrando uma lacuna a ser preenchida na área pedagógica do país.

Ademais, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês da pós-modernidade, explica em “Modernidade Líquida” que vivemos em uma realidade frágil, não contínua e efêmera, que atravessou por diversas mudanças no último século. A dependência que as indústrias tinham para com o trabalhador, em plena Revolução Industrial no século XVIII, é diferente da relação que as fábricas tem atualmente, flexibilizando as relações de trabalho e consequentemente, reduzindo o emprego enquanto a terceirização e o trabalho informal aumentam. As exigências do mercado de trabalho de hoje — movidas pelo consumismo — devem ser mediadas por, além da educação, políticas públicas que facilitem a entrada dos jovens no mercado.

Por fim, são necessárias medidas de intervenções para tratar a problemática retratada. Urge que o órgão do Ministério da Educação implemente aulas nas escolas do ensino fundamental ao médio que ajudem os alunos na inserção em sociedade. Essas teriam como objetivo desenvolver e capacitar o indivíduo para trabalhar, explorando a ética e o bom comportamento, e seriam magistradas por profissionais previamente treinados. Além disso, é necessário que o Ministério do Trabalho crie um projeto em conjunto com o Ministério da Cultura que disponibilize cursos profissionalizantes gratuitos para a população de baixa renda, seguido da abertura de vagas nas áreas selecionadas. Dessa forma, a juventude poderia ter melhor acesso ao mercado de trabalho.