O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 17/11/2020

De acordo com a Constituição brasileira de 1988, a promoção da integração ao mercado de trabalho é garantida pelo Estado. Todavia, fora do plano teórico, tal perspectiva ainda não se efetivou por completo, tendo em vista os desafios em torno da inserção do jovem contemporâneo no cenário empregatício. Tal situação é corroborada, sobretudo, pela escassez de políticas públicas eficazes acerca da temática, além da má utilização dos meios tecnológicos por parte de muitos jovens.

Em primeiro plano, a atuação do Poder público no processo de geração de oportunidades de trabalho à juventude é insuficiente. Nesse viés, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos já ultrapassa a marca de 27%, evidenciando, de início, a gravidade da conjuntura. Diante disso, é notório que a ineficiência estatal quanto à temática - exemplificada pela carência de medidas de disponibilização de vagas de emprego, em instituições públicas, à jovens estudantes - é capaz de produzir graves consequências à economia nacional. Dessa forma, observa-se um cenário de ociosidade em massa que estagna, principalmente, o desenvolvimento social das classes menos abastadas, as quais sofrem diretamente os impactos do desemprego.

Ademais, deve-se ressaltar a frequente má utilização dos meios tecnológicos pela juventude. Sob esse prisma, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo contemporâneo é caracterizado pelo intenso fluxo informacional no ambiente digital, o que fragiliza as relações sociais. Nesse sentido, a utilização exclusiva das novas tecnologias com o fito de buscar o lazer - por plataformas de filmes ou de jogos interativos, por exemplo - dificulta a inserção de muitos jovens no mercado de trabalho, pois esses ignoram, assim, possibilidades de emprego e de geração de renda. Desse modo, alternativas empregatícias disponibilizadas ou divulgadas pelas mídias virtuais podem passar despercebidas, o que obstrui eventuais relações sociais capazes de atenuarem o desemprego na juventude.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate a respeito da problemática em questão. Logo, cabe ao Estado a intensificação de cotas, nas empresas públicas nacionais, voltadas à integração da juventude no mercado de trabalho. Tal medida deve ocorrer por meio de subsídios fiscais às instituições que promoverem crescimentos significativos - superiores a 50% - quanto à inserção de jovens em diferentes setores, com o fito de atenuar o cenário de desemprego entre tal público. Outrossim, a juventude deve buscar a utilização eficiente dos aparatos tecnológicos do mundo contemporâneo, agindo com diligência, no intuito de reverter o cenário em pauta. Após tais medidas, tornar-se-á possível efetivar os elementos supracitados pela Carta Magna.