O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 07/12/2020
Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, a inserção dos jovens brasileiros no mercado de trabalho se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a falta de conhecimento técnico e o não desenvolvimento de habilidades socioemocionais, colaboram para que o âmbito trabalhista seja um desafio para os adolescentes.
Em primeira análise, urge pautar que o conhecimento técnico é essencial para o jovem se desenvolver no mercado de trabalho, mas este requisito é pouco desenvolvido no Brasil. A esse respeito, em 2018, o Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgou que cerca de 20% dos jovens brasileiros não trabalham e nem estudam. Logo, para que o jovem se desenvolva profissionalmente, é necessário ter um diferencial, e isso só é possível por meio do estudo, afirma Greicy Weschenfelder em uma entrevista para o site acadêmico “Brasil Escola”. Deste modo, a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho é inacessível, uma vez que sem estudo as chances são menores.
Ademais, é válido salientar a importância dos adolescentes desenvolverem as habilidades socioemocionais, pois ser criativo, resiliente, saber trabalhar em equipe, entre outras capacitações, é essencial para um bom desempenho profissional. Sob esse cenário, o filme “Os Estagiários” relata a vivência de trabalhar no Google, ressaltando através de dinâmicas em grupo a importância dos jovens desenvolverem essas habilidades ao longo de sua vida. Fora da ficção, o Ipea publicou em 2018 uma das justificativas que fomenta uma dificuldade para os jovens se empregarem, sendo o desfalque dos recursos cognitivos. Nesse viés, é incoerente que essas competências não sejam estimuladas nos ambientes educacionais, uma vez que estas são consideradas tão relevantes para o desempenho profissional.
Portanto, para que as gerações futuras sejam inseridas no mercado de trabalho, de modo oportuno, medidas devem ser tomadas. Assim, o MEC deve criar uma iniciativa, por meio de um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, instituindo a participação de empresas públicas e privadas na ação, essas irão garantir o acesso de estudantes do ensino fundamental e médio em palestras e dinâmicas acerca de conteúdos técnicos e socioemocionais, tais projetos ocorrerão nas empresas parceiras de maneira gratuita, posto que essas entidades terão isenções de alguns impostos. Com isso, espera-se que os jovens usufruam de forma produtiva as oportunidades disponibilizadas pelo mercado de trabalho.