O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 25/11/2020
Disseminado na Inglaterra, ainda no século XVIII, o iluminismo apregoava o desenvolvimento da ciência racionalista como forma de progresso de uma nação. Contudo, hodiernamente, os problemas enfrentados pelos jovens quando a pauta é inserção ao mercado de trabalho, impede que essa população alcance tal evolução. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da negligência governamental bem como da disparidade econômica.
Sob a perspectiva de Norberto Bobbio em sua obra “O futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência de uma “Democracia ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, é possível perceber o descaso estatal com os jovens brasileiros e também com a própria Constituição Federal, que garante o direito à igualdade entre todos os indivíduos. Nesse interim, a geração “nem-nem”, como denomina o contingente populacional que não estuda e nem trabalha, é fruto da escassez de políticas públicas eficientes de incentivo à educação profissionalizante. Embora exista programas como o PRONATEC, que oferece cursos gratuitos, tal iniciativa não atinge toda a população.
Ademais, nota-se a disparidade econômica como sendo também uma das maiores propulsoras no que diz respeito às dificuldades enfrentadas pelos jovens que buscam por oportunidades de emprego. Nesse sentido, a desigualdade social é refletida no currículo de ambos, enquanto alguns têm acesso à uma educação de qualidade, muitos sequer conseguem concluir o ensino básico. Desse modo, muitos jovens não conseguem atender as expectativas do mercado de trabalho, contribuindo com os altos índices de desemprego e criminalidade, uma vez que podem enxergam no crime, um meio de sobrevivência, como ilustra o filme brasileiro “Cidade de Deus”.
Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que visem solucionar a inserção do jovem brasileiro ao mercado de trabalho. O Ministério da Educação deve aprimorar o programa PRONATEC e isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados. Nele deve constar a obrigatoriedade da disponibilidade de cursos profissionalizantes aos jovens de todo o país e as aulas devem ser ministradas por meio de uma plataforma online, entretanto, com indispensabilidade de aulas práticas uma vez ao mês, para que os jovens possam executar o que aprenderam. Espera-se com isso erradicar o status de “geração nem-nem”.