O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 29/04/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos aborda que todos possuem direito ao trabalho livre, justo e remunerado. Contudo, a realidade brasileira não corresponde a essa determinação, haja vista a persistência do desemprego entre os cidadãos mais novos. Dentre os fatores que ocasionam tal problema, a falta de experiência e as despesas com a contratação desse público são notáveis, uma vez que transformam esse percalço em algo contínuo. Sendo assim, o mercado de trabalho para o jovem contemporâneo apresenta desafios que carecem de uma intervenção estatal, para a produção de oportunidades.
É imperativo abordar, em um primeiro momento, como a falta de experiência constitui-se em uma barreira para aqueles que possuem apenas a capacitação teórica. Para o empresariado, contratar uma pessoa que possui um conhecimento que nunca foi colocado em prática é visto, muitas vezes, como uma desvantagem. Essa lógica se deve ao fato de que, profissionais experientes já iniciam sua trajetória em uma nova empresa produzindo, enquanto os inexperientes precisam de um treinamento. Desse modo, percebe-se o estabelecimento de um círculo vicioso, em que jovens são protelados por não possuírem experiência e estão impossibilitados de desenvolvê-la sem um emprego.
Sob esse viés, o desemprego neste grupo tornou-se algo crônico. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgados em abril de 2020, demonstram que a contratação de estagiários caiu mais de 80% em relação ao mesmo período de 2019 — um ano em que 32% dos indivíduos mais novos estavam sem uma ocupação remunerada. Também contribui para essa situação o fato de que o custo de contratação é o mesmo. Ou seja, os empregadores são responsáveis pelos mesmos encargos sociais — com o Instituto Nacional do Seguro Social e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — independentemente do histórico do candidato, o que desfavorece os profissionais iniciantes, pois o raciocínio mencionado anteriormente encontra no fator econômico outro alicerce de sustentação.
Diante do exposto, conclui-se que a inexperiência e os valores de contratação representam os desafios para o jovem adentrar no mercado de trabalho, pois geram consequências que o reconduzem ao desemprego. Logo, para que se finde o problema abordado, cabe ao Governo Federal — por intermédio da aprovação de novas leis — determinar a obrigatoriedade da contratação trabalhadores sem experiência prática, bem como a redução de impostos pagos ao INSS e FGTS quando se tratar do primeiro emprego formal do contratado, para que ocorra um aumento no número de oportunidades de acesso a empregos formais destinados a essa parcela da população.