O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 02/01/2021
Consoante o artigo 205 da Constituição Federal, a educação, direito de todos e dever do Estado, será promovida e incentivada visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação profissional. Todavia, no que tange às políticas de integração escola-empresa, peça fundamental no processo de qualificação dos jovens para o mercado de trabalho, há um enorme déficit. Tal fato deve-se, principalmente, à ineficiência da escola em transmitir saberes que serão utilizados no cotidiano profissional e tem como consequência a desqualificação profissional de uma parcela da população que poderia contribuir para o desenvolvimento do país, uma vez que se encontra integrada com os meios digitais.
Mormente, vale ressaltar que o deslocamento dos saberes lecionados nas escolas e aqueles necessários no mercado de trabalho está diretamente relacionado com a dificuldade dos jovens inserirem-se na vida profissional. Segundo o filósofo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação deve relacionar-se com a realidade, de modo a ser libertadora e não bancária. Nessa perspectiva, conhecimento úteis para o cotidiano, como imposto de renda, financiamentos e rendimentos financeiros, são negligenciados em prol de saberes acadêmicos, como organelas celulares e interações atômicas. Assim, ocorre um depósito de saberes téoricos, definidos, previamente, por classes dominantes, em quanto que os requisitos profissionais são deixados à margem.
Ademais, em decorrência do currículo escolar, coloca-se em risco uma geração de atores econômicos que, a priori, possui maior facilidade de integração com as mídias digitais, área fulcral no mercado de trabalho. Conforme o filósofo Pierre Levy, na obra “Cibercultura”, diversas relações interpessoais ocorrem, majoritariamente, no ambiente digital. Nesse cenário, as gerações hodiernas têm a vantagem de terem se desenvolvido imersas no mundo digital. Dessarte, visto que maioria das relações econômicas utilizam-se da tecnologia, os jovens, que cresceram com computadores e aparelhos eletrônicos, encontram-se mais familiarizados, quando comparados com as gerações passadas.
Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Educação, por meio de parcerias com as secretarias de Desenvolvimento e empresas privadas, deve modificar o currículo escolar, no intuito de inserir disciplinas e conhecimentos que serão necessários no mercado de trabalho. Além disso, centros de integração escola-empresa (CIEE) devem ser construídos, a fim de observar na prática quais saberes, de fato, serão necessários. Dessa maneira, a educação será plena e o direito constituicional será efetivado.