O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 15/01/2021
Segundo o sociólogo sueco Göran Therborn, o ser humano não é nada mais que um principiante no século XXI: uma época que promete ser muito diferente das anteriores. Traçando um paralelo entre a concepção do pensador e a realidade contemporânea, tem-se que uma dessas mudanças a qual o século XXI está assistindo é a contínua e notável entrada dos jovens no mercado de trabalho – a qual engloba sérios desafios na sua jornada. Perante esse debate, é indispensável que esses problemas sejam enfrentados, tanto por questões legislativas quanto sociais.
Em primeiro lugar, é válido salientar os aspectos negativos dessa problemática na ordem do país. De acordo com a Constituição Federal, é direito de todos o acesso ao trabalho digno. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, como mostram dados do site de notícias da G1: cerca de 20% dos jovens ativos não exercem uma profissão no Brasil. Com base nisso, chega-se à percepção de que os desafios para inserção juvenil no mercado de trabalho – como problemas com habilidades cognitivas e relacionais e a falta de políticas públicas de incentivo do governo – evidenciam não só um empecilho para o desenvolvimento digno da nação, mas também dá indícios de problemas no eixo político, do não cumprimento da norma. Confirma-se, portanto, o que já propunha Dante Alighieri em “A divina comédia”: “as leis existem, mas quem as aplica?”.
Em segundo lugar, é fundamental entender os impactos desfavoráveis desses desafios no desenvolvimento do país. Estudos do Ministério do Trabalho apontam que países com baixos índices de inclusão de jovens no ramo de atividades trabalhistas são mais propensos a não prosperarem social e economicamente. Pesquisas como essa mostram como a dinâmica do país fica prejudicada a partir do momento em que não são oferecidas as devidas oportunidades para o recrutamento de mentes com altas habilidades e conhecimentos. Portanto, não é possível o país progredir se ele não vence o obstáculo que o impede de um desenvolvimento digno: os desafios relacionados à inserção do jovem contemporâneo no mercado de produção. Ratifica-se, assim, o que atesta o professor de Harvard Steven Pinker: “o progresso não resulta da magia, mas da resolução de problemas”.
Por fim, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe aos governos estaduais – responsáveis pela execução das diretrizes nacionais com uma gestão local – criarem programas de introdução ao mercado de trabalho voltadas para os jovens desde cedo, as quais contenham ações como o preparo para a qualificação profissional e o seu amadurecimento. Isso pode ser feito por meio de parcerias com o governo federal, o qual garantirá subsídios financeiros para tal. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões.