O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 24/02/2021

No contexto atual, a frase “O mundo está cheio de pessoas úteis, mas vazio de quem lhes dê emprego”, pertencente ao pedagogista e educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi, adquire espaço nas discussões acerca de um tema de relevância: o inacessível mercado de trabalho para a juventude atual. É notória a exigência crescente das empresas quanto às capacidades e habilidades do jovem contemporâneo, ressaltando a importância da experiência em uma entrevista de emprego de forma que se torna inviável ao indivíduo obter experiência após o término do Ensino Médio, ocasionando em altas taxas de desemprego entre a população mais nova.

Em primeiro lugar, é fundamental destacar que as estatísticas acerca do desemprego em relação a população jovem, em função das exigências incoerentes do mercado de trabalho, possuem taxas elevadas de indivíduos desempregados, principalmente no terceiro trimestre de 2020, em vista da crise sanitária que acometeu o mundo, que, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alcançou a taxa de 31,4%. Contudo, em vista do artigo 205 da Constituição Federal, que diz que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”, infere-se que, como dever do Estado, é fundamental que as pessoas possuam qualificação para trabalhar. Sendo assim, evidencia-se que, tendo os jovens a qualificação necessária para o trabalho — garantida pelo governo do Estado —, a experiência como ponto importante para que o indivíduo seja empregado não é uma exigência obrigatória e estabelecida previamente.

Outrossim, observa-se que uma parcela da população jovem está sujeita à evasão escolar, cujas taxas aumentam anualmente, e outra parcela possui pouca capacitação para o trabalho em vista das diferenças socioeconômicas. Desta forma, a população de indivíduos jovens não tem as mesmas oportunidades, de maneira a somar-se às exigências de experiência e ocasionar no aumento do desemprego, provocado pela distribuição desigual da qualidade e abrangência do ensino entre pessoas de classes econômicas distintas.

Portanto, é fundamental que haja o oferecimento de cursos de capacitação pelo Ministério da Educação e incentivos às empresas para que possam garantir a primeira experiência no mercado de trabalho. Os cursos de capacitação seriam possíveis através da reformulação da estrutura do ensino médio pelo Ministério da Educação, inserindo habilidades que desenvolvam as capacidades dos alunos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ofertando cursos como os técnicos nas escolas públicas.