O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 11/04/2021
A Constituição Federal de 1988 garante, em seu 205º artigo, que a educação é um direito de todos, sendo promovida visando o “desenvolvimento da pessoa” e a sua “qualificação para o trabalho”. Nota-se, porém, que esse direito constitucional encontra barreiras para se validar no que diz respeito à introdução do jovem contemporâneo no mercado de trabalho. De fato, é notório que muitos não conseguem ter sua primeira experiência de trabalho na juventude, principalmente por conta da falta de oportunidades, sendo que as medidas adotadas para resolver esse problema se revelam ineficientes.
É necessário abordar, em primeiro plano, que apesar de muitas empresas oferecerem vagas para adolescentes, é frequentemente requisitado que o candidato tenha uma experiência profissional anterior para que se consiga o cargo. Segundo um levantamento realizado pelo Trendsity, em parceria com o McDonald’s, mais de 3/4 da população entre 16 e 22 anos não conseguiu emprego por conta dessa exigência, com mais de 3/5 afirmando terem sido dispensados por causa da “falta de confiança na nova geração”. É percebido então uma clara contradição, onde as oportunidades dadas para ganho de experiência profissional acabam invalidadas pela exigência dessa mesma experiência, formando assim um ciclo vicioso. Observa-se, também, que uma das principais causas dessa exigência é a falta de confiança nos jovens da atualidade, o que faz os empregadores procurarem alguém que já tem uma certa competência profissional, e não alguém que busca desenvolve-la.
Deve-se ressaltar, ainda, que as medidas governamentais tomadas para resolver essa questão se mostram ineficientes. Nesse sentido, torna-se pertinente trazer a tona o pensamento do sociologo Émile Durkheim, tendo ele dito que “quando os costumes são insuficientes, é impossível fazer respeitar as leis”. De fato, mesmo com providências como a implementação da Lei da Apredizagem (lei nº 10.097/2000), que determina que no mínimo 5% dos funcionários de uma empresa de médio ou grande porte devem ser aprendizes, a questão da falta de oportunidades ainda permanece, e permanecerá até que os empregadores mudem sua opinião sobre a população mais jovem e inexperiente.
Diante dos fatos expostos, conclui-se que, para resolver os desafios que impedem a introdução do jovem contemporâneo no mercado de trabalho, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, cabe a Mídia promover, por meio de campanhas televisivas, a maior valorização do jovem no quesito profissional, ressaltando diferenciais como a sua familiaridade com as tecnologias digitais. Ademais, o Ministério do Trabalho deve promover uma maior fiscalização em empresas de medio e grande porte no que se diz respeito ao comprimento da Lei da Apredizagem, a fim de promover uma maior quantia de oportunidades de trabalho aos jovens aprendizes.