O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 14/04/2021

O livro “O cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspetiva, é necessário entender que a dificuldade de inserção dos jovens no mercado de trabalho afeta a sociedade como um todo. Assim, devido a falta de experiência profissional dos jovens e por conta do despreparo emocional existente nessa faixa etária, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a inexperiência profissional dos jovens dificulta o acesso deles ao primeiro emprego. Isso porque eles geralmente iniciam a procura por trabalhos após a conclusão do Ensino Médio ou Ensino Superior, ou seja, esses indivíduos só possuem a vivência acadêmica no currículo como experiência para serem contratados. Essa situação se comprova a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na qual foi demonstrado que enquanto a taxa de desemprego geral é de 11%, entre os jovens essa quantidade chega a 26%. Dessa forma, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro de falta de experiência.

Além disso, destaca-se que a ausência das habilidades sociemocionais intensifica esse problema. Isso porque o ambiente trabalhista é  formado por pessoas de diversos pensamentos diferentes, de modo que os profissionais acabam passando por situações desconfortáveis ​​diariamente e, nesses casos, é essencial saber lidar com as próprias emoções e sentimentos para evitar conflitos e discussões negativas, visto que cada dia mais as empresas valorizam o funcionário que possui essas habilidades. É possível perceber isso a partir do fato de que as empresas normalmente contratam as pessoas analisando o currículo delas, porém, em 90% dos casos, elas demitem por conta do comportamento dos funcionários no ambiente de trabalho, de acordo com a professora de gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ligia Molina. Dessarte, é preciso que essas aptidões sejam desenvolvidas para a minimização desse cenário de inabilidade.

Torna-se evidente, portanto, que a dificuldade para o jovem entrar no mercado de trabalho é um entrave que precisa ser solucionado. Sendo assim, é dever das instituições de ensino incentivar o desenvolvimento emocional dos estudantes e prepará-los para atender às exigências dos profissionais do ambiente de trabalho. Essa ação deve ocorrer por meio de palestras, fóruns, mídias sociais e visitas à empresas, isto é, medidas que visem o aprimoramento das capacidades sociemocionais e trabalhistas , com o intuito de facilitar a inserção do jovem nesse mercado. Só assim, o país tornar-se-á mais desenvolvido e capacitado.