O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 09/04/2021
Não é novidade que as taxas de desemprego no Brasil são demasiadamente elevadas, tendo em vista as altas taxas de analfabetismo e a baixa escolaridade. No entanto, o que surpreende é a taxa de jovens que, atualmente, nem estudam e nem trabalham. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 23% dos jovens brasileiros estão nesta situação, superando os vizinhos da América Latina. Além disso, a maior parte deste percentual é composto por mulheres de baixa renda. Segundo esta mesma pesquisa, cerca de 49% dos jovens apenas estudam, enquanto 15% estudam e trabalham e 13% apenas trabalham. Mas por quê isto acontece? Por que os brasileiros vivenciam tal realidade no 12º país mais rico da atualidade?
A começar pelo fato das mulheres constituírem a maioria dos 23% de jovens que não trabalham e nem estudam. Pode-se relacionar tal fato com o crescimento da quantidade de adolescentes grávidas na sociedade atual. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FebrasGo) aponta que a gravidez precoce induz a um ciclo vicioso de pobreza e baixa escolaridade, tendo em vista que, segundo estudo do Fundo de População das Nações Unidas, muitas destas precisam abandonar a escola para cuidar dos filhos, muitas vezes ganhando até mesmo menos do que uma jovem de mesma idade que não tem filhos. Há também o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que afirma que 6 de 10 adolescentes e jovens grávidas/com filhos não trabalham e nem estudam.
Após isso, é possível falar também a respeito do paradoxo de permissão. O que é o paradoxo de permissão? De acordo com o autor James Citrin, é quando precisa-se convencer o empregador de que, apesar de não ter experiências, você tem habilidades e a capacidade de ocupar o cargo desejado. Este é um grande dilema enfrentado pelos jovens da atualidade, que buscam espaço no mercado de trabalho, contudo, muitos empregadores cobram deles experiências. Mas como teriam experiência se buscam ainda entrar no mercado?
Com isso, torna-se evidente a necessidade da tomada de providências para auxiliar o jovem brasileiro. Uma das medidas possíveis seria providenciar um aumento da abrangência do menor aprendiz, um programa tão importante para o ingresso do jovem no mercado de trabalho, mas ainda muito restrito e pequeno. Além disso, é muito importante a melhora da atuação das escolas nisso, promovendo palestras de auxílio ao jovem na construção de um bom currículo, matérias extracurriculares a respeito do mundo do trabalho e o oferecimento de cursos técnicos.