O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 22/04/2021
Segundo Émile Durkheim a sociedade é um “corpo biológico”, onde os órgãos, representados pelas pessoas, devem trabalhar em harmonia. Entretanto, tendo em pauta a realidade dos jovens no século XXI, é perceptível que o sociólogo apresentou uma excelente teoria que não se aplica na contemporaneidade, visto que os jovens brasileiros enfrentam diversas dificuldades para inserir-se no mercado de trabalho. Dessa forma, a evasão escolar e a falta de experiência são entraves para essa problemática.
O primeiro aspecto que deve ser posto em pauta é a desistência da escola por parte dos jovens, que contribui de forma negativa para a inserção o jovem no mercado de trabalho formal. De acordo com o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a necessidade de trabalhar é o principal motivo apontado por jovens de 14 a 29 anos para abandonar os estudos. Aproximadamente quatro em cada dez jovens que não concluíram o ensino médio precisaram deixar as salas de aula para trabalhar. Logo, a necessidade dos jovens de vender sua mão de obra de forma clandestina para garantir sua vivência somada ao fato de que a educação no Brasil é frágil e pouco eficiente, abre uma possibilidade de que os alunos percam o interesse nos estudos. Dessa forma, abandonam a escola e procuram oportunidades de trabalhos informais e com salários baixos em relação ao custo de vida.
Além disso, nota-se a ausência de experiência como segundo fator que inibe a introdução dos jovens ao mercado de trabalho. Essa ocorrência justifica-se, pois, as empresas estão cada vez mais exigentes na contratação dos empregados, propensas a escolherem candidatos com mais anos de formação e mais qualificados, deixando de lado os jovens que estão tentando começar sua vida no mercado de trabalho. Portanto, é extremamente inviável para o funcionamento do mercado que os requisitos para ser contratado sejam cada vez mais altos, já que aqueles que irão compor o mercado de trabalho no futuro, os jovens, não conseguem sequer adentrar nesse meio por falta de experiência.
Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Governo realizar um levantamento nas empresas que possuírem os requisitos para contratação de jovem aprendiz, fiscalizações para cumprimento da referida lei, e punições com multas em caso de descumprimento. Além disso, o Ministério do Trabalho, em junção ao Ministério da Educação, devem implementar programas de cursos de capacitações e técnicos nas comunidades e escolas, selecionando jovens de baixa renda, por meio de entrevistas e perfil adequado para o curso pretendido, com finalidade de qualificá-los e preparar para ingresso no mercado de trabalho. Só assim, a sociedade brasileira seria na prática o corpo biológico de Émile Durkheim.