O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 22/04/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país prevê em seu artigo 205 que a educação deve preparar o jovem para exercer o papel de cidadão e ser qualificado para o mercado de trabalho e que isso deve ser incentivado com a colaboração da sociedade. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a inserção dos jovens no mercado de trabalho, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a dificuldade da inserção dos jovens no mercado de trabalho. Nesse sentido, tal problema vai permeando na sociedade e culminando em uma série de problemas, a exemplo disso estão os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que diz que enquanto a taxa média que atinge toda força de trabalho está em 11,2%, a taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos chega a 27%. Essa conjuntura, segundo as idéias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o emprego, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a negligência das empresas para os jovens sem experiência como impulsionador para a dificuldade deles em se inserirem no mercado de trabalho no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad), entre 2012 e o primeiro trimestre de 2019, a fatia de subocupados entre os jovens de 18 a 24 anos foi de 30,1% para 41,8%. Diante de tal exposto, é notório que a negligência das empresas gera um grande aumento na parcela de desempregados dessa faixa etária, visto que muitas delas acabam optando somente por profissionais que possuam pelo menos 6 meses a 1 ano de experiência. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescíndivel que o Governo por intermédio de campanhas, amplie a criação de projetos de emprego que não exijam experiência e que possuam por objetivo o amadurecimento profissional para essa parcela da população, a fim de que possam conseguir experiência e assim se estabelecerem no mercado de trabalho.