O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 17/06/2021

Segundo Mozart Ramos, educador e escritor brasileiro, temos uma escola do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI, apresentando assim uma visão da lentificação dos avanços da educação no país. Visto isso, é possível mencionar que a perspectiva apresentada vincula-se ao dado registrado pelo MEC, em 2019, apontando os gastos de investimento de 3,9 bilhões de reais, na educação do país, sendo, portanto, o menor montante da década, até então. Sob tal ótica, faz-se necessário a discussão acerca do futuro dos jovens impactados por esses fatos. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa incentivar o progresso na formação intelectual e profissional dos estudantes de hoje.

Primeiramente, é importante salientar que os jovens formam um dos grupos mais afetados pelo desemprego no Brasil. Dos quase 14 milhões de desempregados no quarto trimestre de 2020, cerca de 70% eram pessoas na faixa-etária entre 14 e 24 anos de idade, segundo dados da PNAD, realizada pelo IBGE. Posto que, o lugar que a maioria desses jovens têm em comum é a escola, vê-se que ambos os problemas, tanto na educação quanto no mercado de trabalho, caminham juntos. Por conseguinte, a falta de atualização dos métodos e grades acadêmicas resulta no baixo desenvolvimento de habilidades exigidas pelas empresas atualmente.

Nesse sentido, presencia-se a substituição de alguns trabalhos, antes realizados por pessoas, por inteligências artificiais, diminuindo drasticamente os custos de uma empresa e tornando-a mais atual e tecnológica. Por outro lado, exigem-se competências humanas, nas quais as máquinas não alcançarão tão facilmente, em uma contratação que vai além do até então exigido às gerações anteriores. Em seu TED, “O Profissional do Futuro”, Michelle Schneider aponta 10 características de um profissional do futuro, tendo entre elas pontos como: resolução de problemas complexos, negociação, trabalho em equipe, inteligência emocional e criatividade. Posto que, todas essas habilidades anteriormente citadas são comportamentais, cria-se a necessidade destas serem trabalhadas em todos antes do ingresso destes no mercado, ou seja, nas instituições de ensino básico acessível a todos.

Entende-se, portanto, a necessidade da implementação de uma nova matéria na grade escolar focada em comportamento e resolução de problemas do cotidiano. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação propor uma reformulação na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para haver uma formação justa, inclusiva e democrática de profissionais mais bem preparados. Dessa forma, os desafios de um jovem sem experiência de trabalho serão encurtados, ampliando então suas oportunidades de crescimento e melhor qualidade de vida.