O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 03/09/2021

“Lucas, um jovem de 19 anos, sem formação profissional, levanta todos os dias, antes do sol nascer. Pega um ônibus e um metrô até o centro da cidade de São Paulo e distribui vários currículos por dia. Quando o dia acaba Lucas volta para casa cansado, desmotivado e ainda desempregado. Depois de dois meses nessa rotina, um amigo lhe oferece um trabalho, era só entregar uns pacotes. Dinheiro fácil, pensou ele. Lucas mal sabia que naquele momento ele estaria entrando para o tráfico de drogas.” Infelizmente a história de Lucas é a realidade de muitos jovens brasileiros que enfrentam diariamente os desafios de se inserir no mercado de trabalho contemporâneo.

Inicialmente, vale ressaltar que, com a Terceira Revolução Industrial e o desenvolvimento tecnológico, o mercado de trabalho passou a ofertar vagas com maior exigência no que diz respeito a formação profissional dos jovens. Entretanto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, mais de 14 milhões de brasileiros estão desempregados e destes, a maioria são jovens sem qualificação profissional. Estes jovens, que o sociólogo Karl Marx chamou de exército industrial de reserva, por falta de acesso à educação qualificada, não conseguem acompanhar o ritmo da evolução das necessidades do mundo econômico contemporâneo, o que, no longo prazo, tende a aumentar os níveis de desemprego agravando problemas sociais como a fome e a pobreza extrema.

Ademais, ainda segundo o IBGE, cerca de quatro em cada dez jovens brasileiros deixam a escola para trabalhar. Todavia, sem qualificação profissional adequada esses jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho formal e acabam sujeitos a trabalhos informais, em condições precárias, insalubres e perigosas. Além disso, muitos acabam sendo conduzidos para trabalhar no tráfico de drogas ou são vítimas da exploração sexual. Isso contribui para o agravamento dos índices de violência no país e para a marginalização educacional e profissional do jovem brasileiro.

Portanto, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Economia, crie um Plano Nacional de Inserção do Jovem no Mercado de Trabalho, por meio de parcerias público-privadas, onde além de estudar o aluno teria capacitações técnicas profissionais e estágios em empresas privadas, visando inserir o estudante no mercado de trabalho por meio da educação, evitando a evasão escolar. Essa relação seria benéfica para ambas as partes, visto que o estudante, além de estar aprendendo teria a garantia de sustento das suas necessidades por parte do estado, as empresas teriam mão de obra qualificada disponível no mercado e o Estado garantiria a educação e alfabetização dos cidadãos, visto que esse é um dos papeis do poder público previsto constitucionalmente.