O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 03/09/2021
Lima Barreto, em ‘‘Os Bruzundagas’’, publicado postumamente em 1922, faz uma sátira da vida brasileira nos anos iniciais da Primeira República, nos quais diversos problemas sociais, econômicos e culturais eram vivenciados pela teia coletiva. Fora do contexto literário, quase um século após a sua publicação, infelizmente, ainda são persistentes imbróglios no seio social tupiniquim, uma vez que os desafios em torno do mercado de trabalho para o jovem contemporâneo impede funcionamento harmônico das engrenagens nacionais. Com efeito, essa chaga mantém-se seja pela letárgica atuação coletiva, seja pela inobservância do poder público. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar meios para atenuar esse cenário.
Nesse contexto, e incontrovertível que a omissão social é fator cristalizador desse infortúnio. A esse respeito, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que a maneira a partir da qual os indivíduos incorporam, reproduzem e legitimam a estrutura social a quem pertecem, resulturá na promoção de padrões comportamentais. Nessa lógica, sob o prisma do pensamento bourdiano, é notório que a ineficaz atuação da sociedade frente à falta de oportunidades de trabalho é resultado de deturpadas práticas pradonizadas - enraizada no meio social - , como por exemplo, a não procura de proficionalização em certa área de conhecimento. Em consequência, a teia social encontra-se em anomia; prova disso é que o Brasil ocupa a 84º posição no ranking de 189 países analisados pelo Índice de Desenvolvimento Humano. Dessa forma, se a população não romper esses costumes, o País enfrentará dilemas como esse.
Por outro lado, é fulcral destacar a inoperância estatal como agente catalisador dessa questão. Nesse viés, consoante o pensamento filosófico de John Rawls, a ‘‘justiça social’’ é uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos. No entanto, essa tese não é vivenciada na prática, haja vista as ínfimas ações do Estado - gestor dessas garantias -, as quais resultam em políticas públicas falhas que tornam ineficazes o arcabouço jurídico de 1988 - a qual garante o direito à cidadania. Dessarte, enquanto a máquina administrativa não remodelar sua postura, o Estado será ineficiente.
Infere-se, portanto, a necessidade de ação conjunta entre o Estado e a sociedade. Para tanto, o Poder Executivo, sobretudo na voz do Ministério do Trabalho, deve projetar um Plano Nacional de Erradicação na falta de oportunidades de emprego, por intermédio do aumento dos repasses financeiros - feito pela alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - para a infraestruturação física e para a logística deste plano, com intuito de efetivar as normas previstas na Carta Magna. Assim, a hordiernidade será afastada dos dilemas enfrentados pela sociedade bruzundanguense.