O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 04/11/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito ao emprego como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios do mercado de trabalho aos jovens, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, nos quais se destacam a falta de experiência do jovem, o que dificulta sua entrada no mundo de trabalho e a negligência do Estado.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais relacionadas ao emprego dos jovens. Nesse sentido, a Pesquisa Econômica Aplicada (pea), revela que 25% dos jovens brasileiros não trabalham e nem estudam, o que pontua uma forte cultura de não incentivo ao meio laboral desde cedo. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o desemprego, que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de experiência da juventude contemporânea acaba por se tornar um desafio para entrar no mercado de trabalho. Acerca disso, percebe-se que por conta da globalização, a qualificação profissional e a experiência se tornam cada vez mais importantes para as empresas no momento de contratar seus trabalhadores. Dessa maneira, é notório que os principiantes acabam ficando em segundo plano no ramo trabalhista, o que acarreta no aumento de jovens desempregados.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, que tem forte influência sobre o indivíduo,  deve promover ações paliativas focadas a esse público, por meio da criação de cursos profissionais nas escolas de ensino médio, a fim de preparar o adolescente no ganho de experiência profissional. Além disso, cabe ao Ministério do Trabalho juntamente com o Ministério da Educação, criar um sistema de medidas para controlar a evasão dos alunos em colégios e por fim, prepará-los com a ajuda de programas psicológicos para o mercado e novas oportunidades. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.