O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 04/11/2021

O filme ‘’O jogo da imitação’’ retrata a história do jovem matemático Alan Turing, que enfrenta obstáculos em seu percurso profissional ao ser contratado pelo governo britânico para decifrar códigos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial. De maneira análoga, a presença juvenil no mercado de trabalho contemporâneo é cercada de desafios, os quais vão desde o processo de admissão até a conduta dentro do âmbito ocupacional. Nesse sentido, as oportunidades não equitativas de inserção nesse meio impedem o favorecimento pleno do crescimento social e capacitativo advindo dessa experiência, resultando na manutenção de um panorama problemático.

Em primeira análise, cabe pontuar que a disponibilização de empregos não atende de forma equilibrada as diversas realidades da parcela jovem da sociedade. De acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, a noção de igualdade reforça as desigualdades, porquanto os aspetos que os tornam desconformes são ignorados, sendo fundamental a promoção da equidade para proporcionar condições íntegras dentro de quaisquer esferas. Sob esse viés, é possível constatar que jovens estabelecidos em um cenário familiar conturbado, distantes do ambiente educacional e que assumem responsabilidades precoces, como gerir o lar e cuidar de filhos, encaram, majoritariamente, entraves superiores àqueles que detém uma posição privilegiada. Perante isso, entende-se os efeitos da oferta não equânime de trabalho.

Em segunda análise, vale ressaltar que o desenvolvimento de habilidades cognitivas, proatividade e inovação é alentado a partir do ingresso empregatício. Dessa forma, segundo o artigo 6° da Constituição Federal de 1988, o encargo é um direito que deve ser assegurado. Por conseguinte, denota-se que o cumprimento desse preceito é essencial, dado que o meio trabalhista viabiliza, principalmente à juventude em busca de uma primeira experiência prática, o aprendizado profissional e o fortalecimento socioemocional para lidar com as relações e exigências desse setor, tal qual o ocorrido no progresso laboral e trajetória resiliente de Turing.

Diante dos fatos mencionados, é mister que medidas sejam tomadas para motivar a abertura do mercado de trabalho aos jovens na atualidade. Portanto, para revertes os impedimentos, urge que o Ministério da Economia, responsável pelos tópicos referentes ao trabalho, incentive as instituições a reservarem vagas, cujo percentual de 30% à 40% deve ser direcionado a jovens em situação de marginalização social, exclusivas para esse público, por meio da isenção e descontos fiscais, a fim de reduzir a carga tributária e aumentar o ofício juvenil conforme a proposição Fernandes e garantia do orientado na Magna Carta.