O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 17/11/2021

Gilberto Dimenstein, grande jornalista, retrata em seu livro “O Cidadão de Papel“ como as leis fora do papel se tornam inertes e negligenciadas. Análogo a isso, o Artigo 205 da Constituição comprova a ideia do autor, já que afirma que a educação deve preparar o jovem para cidadania e o mercado de trabalho, contrariando a falta de atitudes governamentais para gerar oportunidades. Sendo assim, os órgãos responsáveis devem fazer valer o direito do cidadão compreendendo os motivos que levam a não empregabilidade dos jovens e realizando ações para reverter.

Em uma primeira análise, é certo que a escola é a principal influência na formação do caráter do indivíduo. Segundo Paulo Freire, o ensino é responsável pela emancipação social e individual do aluno. Por essa ótica, o estudante deve ser educado por um sistema que qualifique e o prepare para o mercado de trabalho, pois, assim que ele procura uma vaga se depara com empresas que exigem experiências para contratação ou dinâmicas em entrevistas que o jovem não aprendeu a lidar. Assim, sem preparo, a busca pela primeira oportunidade de inserção se torna desgastante e difícil. Dessa maneira, o governo carece de medidas que preparem o cidadão para vida adulta.

Em uma análise mais aprofundada, é inegável que a pandemia afetou milhares de pessoas e, por consequência, pode prejudicar a manutenção de oportunidades no mercado de trabalho. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Infância, a evasão escolar atingiu 5 milhões de alunos em 2020. Nesse sentido, o estudante que não consegue concluir o ensino médio é prejudicado quando tenta conseguir uma vaga de emprego, uma vez que as empresas têm como preferência mão de obra qualificada. Conforme foi dito por Aristóteles, devemos tratar o igual como igual e o desigual como desigual, na medida de suas desigualdades. Desse modo, o Estado deve buscar entender quais motivos levaram o abandono do indivíduo do âmbito escolar e realizar políticas dentro de suas desigualdades para conseguir o retorno do aluno, antes que prejudique seu futuro.

Torna-se evidente, portanto, que a temática sobre a problemática do jovem contemporâneo exige soluções imediatas. Por isso, o Ministério da Educação, como principal responsável pelo desenvolvimento ético e social do aluno, deve promover políticas que preparem o jovem para o mercado de trabalho. Em síntese, criar matérias extracurriculares que agreguem no currículo do aluno é uma maneira eficaz de evitar o desemprego por inexperiência. Outro ponto, é preparar o estudante para entrevistas de emprego estimulando os professores a fazer dinâmicas em grupos para desenvolvimento do psicológico para essas situações. Ademais, essas práticas adotadas na escola serão capazes de garantir uma entrada na vida adulta mais equilibrada e justa para os jovens. Somente assim, será possível que as leis sejam práticas, como propôs Gilberto.