O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 17/11/2021

De acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o entendimento de uma sociedade pressupõe a compreensão de seus pilares. Paralelamente, o Brasil contemporâneo evidencia diversas barreiras que engessam o ingresso do jovem no mercado de trabalho, um dos alicerces da construção socioeconômica dos indivíduos. Diante disso, deve-se averiguar os dois fatores que engendram a problemática, os quais devem ser combatidos: a ausência de incentivos governamentais e a precarização de ações que promovam a democratização do acesso ao trabalho.

Primeiramente, faz-se necessário o entendimento de que uma significativa parcela dos brasileiros deixam de buscar atividades laborais devido à ineficácia de incentivos estatais. Nesse contexto, de acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mais de 20% dos jovens não trabalham e nem estudam. Dessa forma, a ausência de políticas públicas direcionadas a esses indivíduos contribui para a persistência dessa problemática, visto que não há a existência do intermédio eficiente entre o empregado e o empregador no mercado de trabalho contemporâneo.

Outrossim, é fulcral ilustrar esse dilema por meio do conceito de espaço público orquestrado pela filósofa Hannah Arendt. Nesse sentido, é dever do Estado a promoção de um ambiente igualitário aos cidadãos no tocante aos direitos básicos inerentes ao ser humano, como o trabalho. Entretanto, o país contraria esse fundamento, tendo em vista que a garantia à atividade laboral não é experimentada pelo jovem brasileiro. Em vista disso, a democratização do acesso ao trabalho é negligenciada, na medida em que o poder público carece de medidas que visem a geração de empregos.

Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Economia fomente medidas que contribuam para a inserção do jovem no mercado de trabalho. Para isso, devem ser criados mecanismos que conectem o empregador ao empregado, por meio do intermédio estatal brasileiro, de modo a potencializar os processos de contratação no país. Desse modo, o direito ao trabalho seria garantido e incentivado, fortalecendo um dos pilares da sociedade contemporânea.