O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 19/11/2021

“A democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social”. Nessa concepção, a afirmação atribuída ao geografo Milton Santos, no texto “Cidadanias mutiladas”, retrata a importância de garantir os direitos universais dos cidadãos, dentre eles o emprego. No entanto, a falta de trabalho para os jovens do Brasil é um problema estrutural que precisa urgentemente ser tratada pelas autoridades brasileiras, o que representa grave mazela social. Com efeito, há de se deliberar como a globalização e o uso da influência são relevantes na questão.

Diante desse cenário, a desproporção entre oferta e demanda de emprego é uma das principais causas do problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman disserta, em sua obra “Globalização e as consequências humanas”, que a sociedade caminha para uma desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. Desse modo, a dificuldade de inserir o jovem no ramo laboral é um ônus do atual contexto de globalização, em que é elevada a taxa de mão de obra para os escassos postos de trabalho, o que necessita de urgente intervenção do estado na melhoria da política do acesso ao emprego para os jovens. Diante disso, é incoerente que em um mundo altamente globalizado ainda seja difícil a obtenção de emprego.

Ademais, em segundo plano, o uso da influência para ocupar um cargo figura como outro desafio. Acerca disso, o escritor Buarque de Holanda, na obra “Raízes do Brasil”, desenvolveu o conceito “Homem cordial”: aquele que age pelo sentimento, preferindo as relações pessoais ao cumprimento de leis objetivas e imparciais. Nessa visão, o famoso “jeitinho brasileiro” tem perdido sua vez no contexto da globalização, ao considerar que as relações de trabalho na atualidade estão pautadas na geração de resultados e não nas relações de influência do indivíduo, o que tem favorecido a desconstrução desse modo arcaico e disfuncional. Por conseguinte, na sociedade neoliberal a capacitação e o mérito é a chave que proporciona o trabalho. Assim, a qualificação profissional no Brasil é prioritária ante ao cargo ocupado pelo uso do poder.

É mister, portanto, que esse cenário seja modificado. Para tanto, o Congresso Nacional - instituição responsável por criar e aplicar a lei - deve, por meio de um plenário na câmara, submeter a discussão e votação um projeto de lei chamado “Juventude que trabalha”, para que seja adotado um percentual de vaga de emprego - nas empresas - destinadas aos jovens do país. Essa medida terá por objetivo facilitar o acesso desses indivíduos ao emprego e contribuir para o progresso da nação. Feito isso, a garantia de direitos, tal como preconizada por Santos, será uma realidade nacional com base na criação de uma lei.