O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 13/12/2021
O compositor e cantor João Nogueira retratou, em uma de suas mais famosas canções, a história de sua própria vida, cuja realidade coincide até hoje com a de milhares de jovens brasileiros. No fragmento da música “Espelho”, João Nogueira relata: “Até que um dia eu tive que largar o estudo e trabalhar na rua sustentando tudo…Assim, sem perceber, eu era adulto já.” De tal maneira que muitos jovens brasileiros acabam seguindo o mesmo caminho percorrido por João, isto é, o de ter que priorizar o trabalho em detrimento dos estudos e, por consequência, não concluir o ensino básico. Dessa forma, muitos indivíduos não conseguem o primeiro emprego em função de uma formação educacional deficiente, acrescida, ainda, de outro obstáculo presente: a exigência de experiência profissional pelas empresas contratantes.
Em primeiro plano, a formação educacional incompleta figura como principal motivo de desemprego entre os jovens brasileiros. Segundo uma pesquisa recentemente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação entre jovens com baixa escolaridade é de 39%, o que demonstra um alarmante índice de desemprego aos que estão iniciando sua participação no mercado de trabalho.
Além disso, a exigência de experiência profissional também pode ser considerada uma importante causa do problema apresentado, pois de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa argentina Trendsity em parceria com a marca McDonald’s, 77% dos jovens brasileiros apontam a exigência de experiência anterior como principal barreira para conquistar o primeiro emprego. Assim, o elemento apresentado corrobora um cenário prejudicial ao futuro de muitos cidadãos.
Nesse sentido, o Ministério do Trabalho, em parceria com empresas privadas, deveria criar um programa chamado “Meu primeiro emprego”, por meio do qual essas empresas ofertariam 30% de suas vagas a candidatos enquadrados na faixa etária entre 16 e 21 anos que nunca tivessem trabalhado e , em troca, os contratantes receberiam isenções fiscais como incentivo, a fim de aumentar as chances de contratação de jovens inexperientes profissionalmente. Ademais, aos indivíduos que não tivessem concluído o ensino médio haveria, ainda, a possibilidade da jornada de meio período, pois assim conseguiriam não só a inserção no mercado de trabalho, como também concluir a formação básica de ensino. Desse modo, o Brasil caminhará para um futuro com mais equilíbrio de oportunidades.