O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 07/11/2022

A filósofa francesa Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. De maneira análoga a isso, tem-se, no Brasil, a naturalização da dificuldade de ingresso dos jovens no mercado de trabalho. Nesse contexto, destacam-se aspectos importantes que corroboram com a problemática, como a inoperância governamental e a invisibilidade do tema.

Sob essa ótica, é inegável que a negligência estatal no desenvolvimento de políticas públicas eficientes, que auxiliem na transição do meio escolar para o de trabalho, acentua gravemente o problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman formulou o conceito “Instituição Zumbi”, que refere-se às instituições que deixaram de cumprir seu papel. Da mesma forma, o Estado, ao falhar na garantia de trabalho aos jovens, não exerce sua função e opera como zumbi, conforme o pensamento de Bauman.

Ademais, a falta de debates sobre o revés faz com que sua resolução se distancie de forma marcante. Sob esse viés, o teórico francês Michel Foucault elaborou a construção “Hegemonia dos Discursos” para explicar como algumas teses se sobressaem a outras, resultando no apagamento de pautas importantes. Da modo semelhante, os desafios da inserção dos jovens no mercado de trabalho, por ocuparem uma posição insignificante na hierarquia fucaultiana, são apagados das discussões. Sendo assim, é inadmissível que, em pleno século XXI, esse cenário perveso perdure.

Portanto, mudanças são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Eduação deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, promover campanhas e seminários para os alunos do ensino médio - com a participação de representantes de diversas profissões - a fim de proporcionar uma gama de informações que fomentem a discussão do assunto e garantam condições de uma transição eficaz ao mercado de trabalho pelos jovens cidadãos brasileiros.