O papel da literatura na sociedade contemporânea

Enviada em 10/08/2020

A obra de Markus Zusak, A menina que roubava livros, retrata a história de uma garota que utilizou a prática da leitura como uma saída para os horrores que vivenciava no período da Segunda Guerra Mundial. Essa narrativa mostra apenas um dos benefícios que a cultura letrada pode proporcionar à sociedade e ao indivíduo. Entretanto, fora das obras literárias, percebe-se que no Brasil não há a prática da leitura entre os cidadãos. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência das escolas e a omissão dos pais colaboram para esse quadro.

Mormente, a inobservância escolar é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as escolas, principalmente públicas, ao estudarem sobre literatura, apenas ensinam sobre as escolas literárias como Barroco, Arcadismo, Romantismo, que são cobrados em provas. Logo, não há, por parte dos docentes, a preocupação em incentivar a prática por leitura das obras escritas pelos autores das escolas supracitadas. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra, ’’ Modernidade Líquida’’, algumas instituições -dentre elas o Ministério da Educação- perderam o seu papel social e configuram-se como ‘‘Instituições Zumbis’’, ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Assim, consequentemente, os estudantes formam-se sem possuir um conhecimento intelectual sobre autores e obras importantes para não só sua formação pessoal, como também para a questão humanitária.

Outrossim, a falta de incentivo por parte dos pais é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque com o advento do mundo globalizado e a ausência de tempo, muitos pais não possuem o hábito da leitura em seu cotidiano. Nesse sentido, as crianças, por não possuírem senso crítico, não entendem a importância da leitura para a sua formação. Assim, segundo o filósofo Kant, ‘‘O homem é aquilo que a educação faz dele’’. Contudo, por consequência da falta de uma educação literária no ambiente familiar, muitas crianças adquirem no futuro dificuldades em interpretações textuais durante e após a formação no ensino médio.

Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Ministério da Educação, como braço do Governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), em parceria com as escolas, deve, por meio da criação de um programa educacional  como jogos de cunho literário, incentivar os alunos o hábito e o gosto pela leitura, a fim de estimular que os estudantes adquiram a prática da leitura. Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em parceria com a mídia, deve incentivar os pais a colocarem a leitura como uma função obrigatória em seu cotidiano, com o viés de mostrar a importância da leitura para as crianças.