O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
No livro 1984, de George Orwell, é representada uma sociedade distópica, na qual os governantes se utilizam da destruição de livros e registros históricos, com o objetivo de manipular a população de modo que possam exercer poder absoluto. De tal maneira, a literatura se configura como fator crucial para o desenvolvimento social e intelectual da população, visto que por meio dessa o indivíduo molda seu senso crítico reflexivo. Entretanto, o que se vê hodiernamente é um Estado negligente à prática da leitura e, consequentemente, tem-se a formação de uma sociedade que pouco exerce o prazer da dessa atividade, corroborando para uma alienação cultural.
A priori, é fulcral destacar a contribuição da leitura para a evolução dos indivíduos, no que tange às suas concepções e valores. Sendo assim, de acordo com o sociólogo Max Weber, as crenças de um ser humano são as principais catalisadoras das mudanças sociais e, consequentemente, contribuem para que não haja um estreitamento do pensamento individual. Dessarte, a leitura se configura como fomentadora de pensamentos críticos e racionais, além de ser fonte de inspiração pessoal e também de desenvolvimento da imaginação, contribuindo assim para que se crie uma sociedade argumentativa, crítica e não suscetível à manipulação.
A posteriori, é imperativo pontuar a negligência do Estado em relação a leitura no país. De tal modo, segundo o filósofo contratualista John Locke, o Estado é responsável por conceder os direitos inalienáveis ao homem, por meio de um contrato social. Isto posto, é fundamental que o governo conceda a sua população as adequadas estruturas para o estímulo da leitura, porém o que se mostra vigente é o oposto, tendo em vista que, de acordo com uma pesquisa do portal de notícias Globo, apenas cerca de 50% da população brasileira tem o hábito de ler. Ademais, um grande impasse à literatura no país será concretizado, caso a reforma tributária, proposta pelo Ministério da Economia, for implementada, já que os livros passarão a ser tributados e poderão ter preço acrescentado em quase 20%.
Em síntese, é de vital importância conceder as bases primordiais para que se tenha uma sociedade literária. Portanto, urge que o Ministério da Educação conceda essas estruturas, por meio da elaboração de campanhas televisivas e radialistas sobre a importância da leitura para o desenvolvimento social. Ademais, cabe ao órgão supracitado, em consonância com escolas e instituições privadas, estimular a leitura por meio da elaboração de políticas de distribuição de livros nas escolas e nas empresas, a fim de contribuir para o avanço da literatura no país. Só assim ter-se-á uma sociedade semelhante ao que Locke propunha.