O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 18/09/2020
Informação sobre acontecimentos, reflexão da realidade, capacidade de acessar direitos. Diversos são os avanços representados pela literatura no conceito de cidadania. No entanto, em razão da negligência do Estado na educação e da desvalorização do saber, a ausência da leitura tornou-se comum no cotidiano de muitos brasileiros. De acordo com o Instituto Pró-livro, apenas 44% da população pratica o hábito de ler, reforçando a necessidade de buscar meios que valorizem a restituição de tal hábito no século XXI.
A princípio, é necessário ressaltar que a leitura não dissemina só anseios artísticos, mas também, possui função ativa na formação de valores na contemporaneidade.O poeta Castro Alves, por exemplo, durante a terceira geração romântica, denunciou as condições dos escravos negros daquele período por meio dos seus textos e instaurou o pensamento abolicionista nos indivíduos. Entretanto, devido à falta de ensino da literatura nas escolas e à falta de acesso à cultura, os livros estão se tornando banalizados, uma vez que a prática da leitura é pouco estimulada pela família e desprezada pelas autoridades públicas, que não priorizam a educação hodiernamente.
Outrossim, é possível salientar que segundo o filósofo Hegel, a potencialidade dos indivíduos nos objetos produzidos cria uma relação de identidade entre os grupos na cultura, logo, de forma análoga a esse pensamento, a alienação gerada pelo surgimento de novas tecnologias estimulou a crença de que a leitura não é um lazer. Ademais, a omissão do Estado na formação de leitores e escritores demonstra a constante desvalorização do conhecimento intelectual dos cidadãos e gera a falta de reconhecimento do passado cultural e histórico da humanidade, já que a literatura é uma forma que explica a multiplicidade da vida e faz parte da identidade nacional.
Portanto, para estimular o hábito de ler e promover o interesse por textos literários, as secretarias de educação devem investir no treinamento de professores que abordem a leitura de modo mais inclusivo nas escolas, auxiliando na formação de jovens leitores e despertando o enriquecimento educacional em cada aluno. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura com a parceria de ONG´s, criar projetos de distribuição de livros gratuitos e palestras interativas que apresentem os benefícios de inserir o estudo literário no cotidiano, proporcionando diversão e reflexão sobre a criticidade do mundo. Assim, a literatura será valorizada e continuará essencial na desconstrução de intolerâncias em prol de uma sociedade mais igualitária.