O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 05/10/2020
Em 1902, Euclides da Cunha publicou a obra “Os Sertões”, na qual fez uma crítica social contundente ao denunciar a opressão sofrida por um povo miserável no interior da Bahia, que é massacrado pelo governo. Esse clássico, mostra que a função da literatura vai além de interpretar textos, ela estimula a formação de valores de uma sociedade, contribuindo com seu desenvolvimento intelectual e cultural, e fomenta a construção de um senso crítico apurado. No entanto, o Brasil é um país que não incentiva o hábito da leitura, dificultando o desenvolvimento de cidadãos analíticos.
Primeiramente, é necessário destacar que, de acordo com uma pesquisa feita pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), em 2018, 50% dos estudantes brasileiros não possuem o nível básico em leitura, ou seja, não conseguem interpretar um texto simples. Esse dado é muito preocupante porque impede o exercício da cidadania, que requer interpretação de informações constantemente para um convívio social harmonioso, e permite a dominação de uma parcela da população sobre outra, já que esta não tem um espírito questionador. Desse modo, fica evidente que as instituições escolares não acendem a chama do interesse pela literatura, e as aulas se resumem a leituras rápidas e respostas curtas e acríticas para racionar o tempo de estudo.
Assim sendo, a sociedade brasileira não coloca em prática as ideias de Antônio Cândido sobre literatura. Esse respeitado crítico literário acreditava que a literatura é responsável por formar uma civilização capaz de sonhar, que possui um papel formador de valores reais e também é libertadora, contribuindo para uma humanização da população, já que ela aumenta a sensibilidade humana e permite uma melhor capacitação para enfrentar problemas cotidianos, inclusive melhor compreensão dos sentimentos humanos. Dessa maneira, a literatura é fundamental na constituição de uma sociedade coesa que caminha rumo a uma forte democracia e respeite todas as suas normas, sempre valorizando a subjetividade de cada cidadão.
Portanto, é evidente que a literatura é fundamental na construção de um corpo social racional, crítico, inclusivo e democrático. Mas para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação inclua na base nacional curricular um estudo mais expressivo de literatura, em que os professores possam trabalhar com obras clássicas da literatura brasileira, no intuito de promover debates para maior conhecimento sobre o país e as formas diferentes de pensar, além de estimular o espírito questionador dentro de cada um. Além disso, é essencial que a Secretária da Cultura junto às emissoras de TV, desenvolvam minisséries sobre obras literárias para serem transmitidas para toda a população. Destarte, a realidade idealizada por Antônio Cândido poderá ser estabelecida no Brasil.