O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 07/10/2020
Em 1902, Euclides da Cunha publicou a obra “Os Sertões”, na qual faz uma crítica social contundente ao denunciar a opressão sofrida por um povo miserável no interior da Bahia, que é massacrado pelo governo. Esse clássico mostra que a função da literatura vai além de interpretar textos, ela estimula a formação de valores de uma sociedade, contribuindo para com seu desenvolvimento intelectual e cultural, e fomenta a construção de um senso crítico apurado. No entanto, o Brasil é um país que não incentiva o hábito da leitura, dificultando o amadurecimento de cidadãos analíticos.
Primeiramente, é necessário destacar que, de acordo com uma pesquisa feita pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), em 2018, 50% dos estudantes brasileiros não possui o nível básico em leitura, ou seja, não conseguem interpretar informações simples. Tal fato é preocupante porque impede o exercício da cidadania, que requer análise de informações constantemente para um convívio social harmonioso, além de permitir a dominação de uma parcela da população sobre outra, que é facilmente alienada por não possuir espírito questionador . Desse modo, fica perceptível que as instituições escolares não ascendem a chama do interesse pela literatura, e as aulas se resumem a leituras rápidas e respostas curtas e objetivas para racionar o tempo de estudo.
Assim sendo , a sociedade brasileira não coloca em prática as ideias de Antônio Cândido sobre literatura. Esse respeitado crítico literário acreditava que a literatura é responsável por criar uma civilização capaz de sonhar, que possui um papel formador de valores reais e também é libertadora, contribuindo para uma humanização da população, já que ela aumenta a sensibilidade humana e permite uma melhor capacitação para enfrentar problemas cotidianos, inclusive melhor compreensão dos sentimentos humanos. Dessa maneira, a literatura é fundamental na constituição de uma sociedade coesa que caminha rumo a uma forte democracia e respeite todas as suas normas, sempre valorizando a subjetividade de cada cidadão.
Portanto, é irrefutável que a literatura é indispensável na construção de um corpo social crítico, inclusivo e democrático. Mas, para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação inclua na base nacional curricular um estudo mais expressivo de literatura, em que os professores possam trabalhar com obras clássicas brasileiras, no intuito de promover debates para estimular o espírito questionador dentro de cada um. Além disso, é essencial que a Secretaria da Cultura, junto às emissoras de TV, desenvolvam minisséries sobre obras literárias para toda população ter acesso a diferentes escritores, suas formas de pensar e enxergar a realidade de determinado período, buscando aguçar a sensibilidade de cada um. Destarte, a realidade idealizada por Antônio Cândido poderá existir no país.