O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 11/10/2020
A obra literária “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, retrata uma sociedade totalitária, na qual os bombeiros da cidade são responsáveis por queimar livros e a literatura é proibida. Dessa maneira, a mimesis demonstra o quão alienada e sem instrução a população pode se tornar quando o negacionismo aos livros é predominante. Posto isso, torna-se necessária uma discussão acerca das consequências negativas da diminuição da leitura na vida social.
Em primeiro lugar, é imprescindível destacar que a literatura é um veículo de propagação de ideias e, por conseguinte, corrobora a responsabilidade social. Um exemplo da falta dessa consciência, viabilizada pela mitigação de livros, é o caso da destruição de milhares de exemplares literários, considerados subversivos e de caráter opositor ao governo, pelos nazistas na Alemanha em 1933. Nesse contexto, esse acontecimento histórico, assim como a produção de Ray Bradbury, denuncia a manipulação da população e sua consequente alienação perante a censura da arte escrita. Desse modo, fica evidente a indispensabilidade da leitura para difundir uma pluralidade de concepções e, assim, tornar o indivíduo detentor de informação.
Outrossim, cabe também ressaltar que os livros são ferramentas essenciais para o desenvolvimento educativo. Tal importância pode ser exemplificada na história da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato do Talibã, grupo extremista islâmico, por manifestar-se contra a proibição da educação para mulheres. Sua frase “Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo” é um exemplo de que o acesso à literatura, em conjunto com a educação, é capaz de atuar como um transformador social e, consequentemente, capacitar o cidadão com um poder de intervenção na sociedade.
Fica clara, portanto, a importância da valorização da leitura na formação social. Logo, compete ao Ministério da Educação (MEC), esfera governamental de articulação de políticas educativas, aumentar o estímulo à literatura nas escolas públicas brasileiras. Isso deve ser feito mediante um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, que destine de uma maior quantidade de verbas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, para não só disponibilizar uma variedade ampliada de livros aos alunos, como também incluir no currículo escolar rodas de conversa e discussão didáticas das obras literárias lidas mensalmente. Feito isso, os cidadãos terão a oportunidade de adquirir o hábito da leitura desde a infância e, por consequência, se tornar indivíduos mais conscientes e possuidores de conhecimento.