O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 12/10/2020
Na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual a educação teria um papel fundamental e transformador na vida da população, sem ela o Estado seria imperfeito. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor prega, visto que o acesso à literatura se dar de forma desigual no Brasil. Nessa perspectiva, cabe analisar tanto a não promoção do acesso à obras literárias nas zonas marginalizadas quanto ao mal uso da tecnologia como fatores desse contexto, a fim de revertê-los.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que os jovens que vivem nas favelas possuem poucos ambientes de estudo, como uma biblioteca, isso leva a um quadro de desinteresse pela busca do conhecimento, através dos livros. Sob essa ótica, tal postura negligente do Governo fere o princípio homologado e defendido no artigo 6º, da Constituição Federal de 1988, que garante o direito à educação e ao bem-estar social. Nesse sentido, de acordo com a máxima de Hobbes, “o homem é produto do meio”, sendo assim, essa parcela excludente acaba virando alvo da criminalidade e do tráfico que os cercam que afastam elas da educação.
Ademais, é notório que a decadência do habito de leitura em prol do uso abusivo e indiscriminado das mídias sociais geram impactos negativos na vida dos usuários, uma vez que os diálogos entre os internautas são baseados em gírias e em termos informais que sucateiam o acervo linguístico. À vista disso, de acordo com a máxima de Piaget, “o ser humano é um ser biopsicossocial”. Isso significa que sofre influencias biológicas, psicológicas e sociais. Dessa forma, é inegável que a ferramenta é um fator que modifica as relações de aprendizagem, posto que está contida nas relações do cotidiano, porém, t orna-se necessária uma mudança nessa prática viciosa.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar esse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Tribunal de Contas da União, estabelecer reuniões no gabinete presidencial, dando ênfase à temática acerca do investimento no setor, tendo em vista uma melhor dinamização do dinheiro para as regiões marginalizadas. Tais medidas seriam realizadas, por meio de construções de bibliotecas e áreas de oficinas de leitura nas regiões com pouco aparato estatal, além de serem coordenadas por um grupo de sociólogos e pedagogos, já que os profissionais estão familiarizados com o ensino e com a realidade dos jovens, com a finalidade de tirar os jovens da influência do trafico. Somente assim, o ideal de Platão será alcançado.